Rohit Bhargava numa conversa “pouco óbvia”

Fundou a Non Obvious Company para ensinar as marcas e os consumidores a prever tendências pouco óbvias. E revela ao ECO, em exclusivo, uma para este ano: chama-se "inveja da inovação".

A Non Obvious Company é uma empresa mas é, antes de tudo, uma filosofia. Uma forma de pensar diferente e de “ver o que os outros não veem”, explica Rohit Bhargava, especialista em marketing e inovação e um dos oradores do eventoBuildingthe Future: Ativar Portugal, da Microsoft, em Lisboa. Até aqui tudo nos parece óbvio. Só que não.

Bhargava desafia a ver um vídeo de Ed Sheeran e a prestar atenção na pessoa que, aos 1’58, “está a ver o que os outros não veem, o único que parece estar realmente a viver a experiência”, explica. “São essas as pessoas mais inovadoras”, justifica.

Mais do que TrendSpotting, o especialista diz que faz Trend Curation: coleciona ideias tal como coleciona milhas nos voos que faz, utilizando o “Haystack Method” porque chegar a uma tendência é como encontrar uma agulha no palheiro. “Não nos apercebemos que a quantidade de media que consumimos é-nos entregue por alguém ou por alguma coisa como um algoritmo, e isso está a limitar-nos. Vivemos tempos tão limitados, temos amigos que pensam como nós, que leem as mesmas histórias nos media, respondem às mesmas histórias nas redes sociais, que o problema que se cria está à nossa volta e se alguém não concordar contigo é estúpido”, analisa. Por isso, explica que todos estes fatores conduzem a consequências como a perda de empatia. “Estamos a perder a capacidade de interagir com pessoas que pensam de maneira diferente de nós. Nem sempre fomos assim, por isso, o que estamos a ensinar é que temos de, intencionalmente, procurar outros pontos de vista. Às vezes a tecnologia pode ajudar: a realidade virtual, por exemplo, coloca-nos no lugar de outras pessoas, e isso é ótimo”, acrescenta.

Quanto a tendências, fala de várias. E acredita que vão desenvolver-se ao longo deste ano.

Não nos apercebemos que a quantidade de media que consumimos é-nos entregue por alguém ou por alguma coisa como um algoritmo, e isso está a limitar-nos.

Rohit Bhargava

Non Obvious Company

  • Virtual Empathy

É uma das tendências que aponta para este ano, dando como exemplo a tecnologia, que permite “viver a vida” de outras pessoas.

  • Light Speed Learning

Porque já não há tempo a perder, a expectativa é, cada vez mais, aprender o mais rápido possível. E isso traz mudanças grandes nas nossas vidas. Rohit Bhargava dá como exemplo: “Se um rapaz de 8 anos aprende a conduzir no YouTube e vai de carro ao McDonald’s, como é que os pais lhe vão explicar que, quando crescer, vai ter de ir estudar para a Universidade para aprender?”

  • Predictive Protection

Já existem empresas a pensar produtos, serviços conectados e inteligentes que trazem segurança aos consumidores e que ajudam em temas como saúde, ambiente, antecipando as nossas necessidades.

  • Innovation Envy

“Esta está a ganhar muita expressão, a Inveja da Inovação, que significa que há muitas empresas a olhar para o que os outros fazem e decidem que também vão começar a fazê-lo”, revela Rohit Bhargava. “Se uma empresa está a fazer um determinado telefone, nós também vamos fazer. Se eles têm mesas de pingue-pongue no escritório, nós também vamos ter. Não são decisões baseadas em estratégia mas tomadas com base em inveja. E vemos tantos exemplos pelo mundo e em indústrias diferentes… está em todo lado, é uma grande tendência para este ano”.

Fora da caixa

E, estão as marcas a pensar de forma menos óbvia? “Gostava que sim mas muitas marcas e departamentos de marketing baseiam-se naquilo que sempre fizeram, que está relacionado com a cadeia do dinheiro. Se temos um budget alocado todo o ano a alguma coisa e se, de repente, decidimos fazer algo diferente, dá mais trabalho justificar a razão pela qual mudamos o dinheiro de um lado para o outro. Como medimos se a nova decisão funcionou melhor em relação à anterior quando ninguém quer perder dinheiro? De certa forma, o sistema está montado para evitar a inovação”, acrescenta.

Há, no entanto, algumas que já pensam de forma diferente. “A P&G, por exemplo, repensou todo o seu modelo na relação com as agências e começou a criar projetos internamente. Quando isso acontece, muda-se a estrutura, as agências alinham-se com as empresas e são passos importantes na mudança”, conclui.

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Rohit Bhargava numa conversa “pouco óbvia”

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião