Rio promete “reforma justa da Segurança Social” no seu programa de Governo

Na apresentação daquelas que serão as linhas mestras do seu programa de Governo, Rui Rio frisou que não discutiram nomes, nem elegeram ninguém. Moedas é mandatário do PSD às eleições europeias.

Rui Rio defende a necessidade de “uma reforma justa da Segurança Social para a tornar sustentável no longo prazo”. No Conselho Estratégico do PSD, que está a decorrer este sábado, em Santa Maria da Feira, o líder social-democrata enumerou algumas das questões que “terão de ter resposta no programa de Governo” do partido. Entre essas questões está também a Justiça, que Rui Rio defende que deve ter maior escrutínio, mas também uma maior celeridade.

Naquela que Rui Rio classifica como uma “iniciativa inédita na atividade partidária clássica”, Rio deixou as “ideias que, em tempo próprio serão a base das propostas” que pretende submeter “a sufrágio dos portugueses”. “Não discutimos nomes, não elegemos ninguém, não houve truques ou jogadas de bastidores, infelizmente tão frequentes em reuniões políticas partidárias, estamos apenas a debater o país”, disse Rui Rio, numa crítica indireta à convenção nacional do PS — onde foi confirmado o nome de Pedro Marques como cabeça de lista do PS às europeias — que o líder chegou a classificar de “ação de campanha eleitoral”.

Não discutimos nomes, não elegemos ninguém, não houve truques ou jogadas de bastidores, infelizmente tão frequentes em reuniões políticas partidárias, estamos apenas a debater o país.

Rui Rio

Líder do PSD

Rui Rio reiterou a sua posição polémica de que o Conselho Superior do Ministério Público não deve ser composto apenas por juízes, para garantir um maior escrutínio, uma ideia pela qual já foi fortemente atacado por se entender que Rio quer os políticos a vigiar os juízes. No entanto, o social democrata foi claro na condenação da política a interferir na Justiça e vice-versa.

“Ninguém quer políticos na Justiça, mas o controlo efetivo da sociedade sobre o funcionamento da Justiça, como acontece nos demais setores da vida nacional”, defendeu Rui Rio. “Em democracia não pode haver nenhum poder que não esteja sujeito ao controlo do povo”, reiterou. “Não queremos a política na Justiça, mas também não queremos a Justiça na política”, acrescentou. “São intoleráveis as pressões políticas sobre o sistema judicial, mas é igualmente intolerável a gestão de processos judiciais em função de objetivos de natureza política“, disse.

Ninguém quer políticos na Justiça, mas o controlo efetivo da sociedade sobre o funcionamento da Justiça, como acontece nos demais setores da vida nacional.

Rui Rio

Líder do PSD

Ainda no capítulo da Justiça, Rio voltou a defender o fim da violação do segredo de Justiça, “que transfere as sentenças dos tribunais para as montras, onde qualquer um pode ser condenado em letras garrafais de uma qualquer primeira página de um jornal. A constante violação do segredo de Justiça é, na sua opinião, “um fenómeno típico das sociedades totalitárias”.

Rui Rio defendeu ainda a necessidade de resolver os atrasos nos tribunais administrativos e fiscais, porque a situação atual “é castradora do normal funcionamento da economia” portuguesa.

Uma economia que ainda tem uma dívida pública e externa demasiado elevadas: “Muito superiores ao que precisamos para evitar” um novo resgate externo, que já aconteceu por três vezes. Rio defende que “as regras europeias não são um obstáculo ao desenvolvimento, antes pelo contrário“, disse, defendendo a importância da Europa e o compromisso com o seu futuro.

Na plateia, o comissário europeu Carlos Moedas, foi o escolhido para ser o mandatário nacional do PSD para as próximas Eleições Europeias. O anúncio foi feito pelo próprio cabeça de lista do PSD, Paulo Rangel, para as Europeias. Carlos Moedas é “alguém que representa o que mais moderno, mais inovador, mais jovem, mais cosmopolita [que] tem o PSD e o seu programa”, disse Rangel, citado pela TSF, na convenção do PSD, esta tarde.

Rui Rio acusou ainda a atual solução governativa de não ter “uma estratégia de crescimento sustentado” e de nos vários Orçamentos de Estado ter “distribuído até ao osso” tudo o que tinha à sua disposição, porque entre os três partidos da geringonça se disputa “quem consegue dar as melhores notícias ao eleitorado”. Para Rui Rio, Portugal tem “o pior de dois males”, paga mais e tem pior serviço.

Já só falta o cidadão ser obrigado a deixar o funcionário do Fisco dormir lá em casa para melhor lhe vascular os armários, as gavetas e se necessário for os bolsos.

Rui Rio

Líder do PSD

O líder do PSD criticou ainda o papel “cada mais intrusivo” da Autoridade Tributária e a “relação cada vez mais prepotente com o contribuinte”. “Já só falta o cidadão ser obrigado a deixar o funcionário do Fisco dormir lá em casa para melhor lhe vascular os armários, as gavetas e se necessário for os bolsos”, concluiu.

No Conselho Estratégico do PSD, ficou ainda clara a defesa de uma reforma do sistema político, círculos eleitorais mais pequenos e uma redução sensata do número de deputados. Rio definiu ainda como prioridade a saúde.

Uma carta aos nossos leitores

Vivemos tempos indescritíveis, sem paralelo, e isso é, em si mesmo, uma expressão do que se exige hoje aos jornalistas que têm um papel essencial a informar os leitores. Se os médicos são a primeira frente de batalha, os que recebem aqueles que são contaminados por este vírus, os jornalistas, o jornalismo é o outro lado, o que tem de contribuir para que menos pessoas precisem desses médicos. É esse um dos papéis que nos é exigido, sem quarentenas, mas à distância, com o mesmo rigor de sempre.

Aqui, no ECO, estamos a trabalhar 24 horas vezes 24 horas para garantir que os nossos leitores têm acesso a informação credível, rigorosa, tempestiva, útil à decisão. Para garantir que os milhares de novos leitores que, nas duas últimas semanas, visitaram o ECO escolham por cá ficar. Estamos em regime de teletrabalho, claro, mas com muita comunicação, talvez mais do que nunca nestes pouco mais de três anos de história.

  • Acompanhamos a cobertura da atualidade, porque tudo é economia.
  • Escrevemos Reportagens e Especiais sobre os planos económicos e as consequências desta crise para empresas e trabalhadores.
  • Abrimos um consultório de perguntas e respostas sobre as mudanças na lei, em parceria com escritórios de advogados. Contamos histórias sobre as empresas que estão a mudar de negócio para ajudar o país
  • Escrutinamos o que o Governo está a fazer, exigimos respostas, saímos da cadeira (onde quer que ele esteja) ou usamos os ecrãs das plataformas que nos permitem questionar à distância.

O que queremos fazer? O que dissemos que faríamos no nosso manifesto editorial

  • O ECO é um jornal económico online para os empresários e gestores, para investidores, para os trabalhadores que defendem as empresas como centros de criação de riqueza, para os estudantes que estão a chegar ao mercado de trabalho, para os novos líderes.

No momento em que uma pandemia se transforma numa crise económica sem precedentes, provavelmente desde a segunda guerra mundial, a função do ECO e dos seus jornalistas é ainda mais crítica. E num mundo de redes sociais e de cadeias de mensagens falsas – não são fake news, porque não são news --, a responsabilidade dos jornalistas é imensa. Não a recusaremos.

No entanto, o jornalismo não é imune à crise económica em que, na verdade, o setor já estava. A comunicação social já vive há anos afetada por várias crises – pela mudança de hábitos de consumo, pela transformação digital, também por erros próprios que importa não esconder. Agora, somar-se-ão outros fatores de pressão que põem em causa a capacidade do jornalismo de fazer o seu papel. Os leitores parecem ter redescoberto que as notícias existem nos jornais, as redes sociais são outra coisa, têm outra função, não (nos) substituem. Mas os meios vão conseguir estar à altura dessa redescoberta?

É por isso que precisamos de si, caro leitor. Que nos visite. Que partilhe as nossas notícias, que comente, que sugira, que critique quando for caso disso. O ECO tem (ainda) um modelo de acesso livre, não gratuito porque o jornalismo custa dinheiro, investimento, e alguém o paga. No nosso caso, são desde logo os acionistas que, desde o primeiro dia, acreditaram no projeto que lhes foi apresentado. E acreditaram e acreditam na função do jornalismo independente. E os parceiros anunciantes que também acreditam no ECO, na sua credibilidade. As equipas do ECO, a editorial, a comercial, os novos negócios, a de desenvolvimento digital e multimédia estão a fazer a sua parte. Mas vamos precisar também de si, caro leitor, para garantir que o ECO é económica e financeiramente sustentável e independente, condições para continuar a fazer jornalismo de qualidade.

Em breve, passaremos ao modelo ‘freemium’, isto é, com notícias de acesso livre e outras exclusivas para assinantes. Comprometemo-nos a partilhar, logo que possível, os termos e as condições desta evolução, da carta de compromisso que lhe vamos apresentar. Esta é uma carta de apresentação, o convite para ser assinante do ECO vai seguir nas próximas semanas. Precisamos de si.

António Costa

Publisher do ECO

Comentários ({{ total }})

Rio promete “reforma justa da Segurança Social” no seu programa de Governo

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião