PSD prepara cenário macro alternativo para as legislativas

Em 2015, o PS pediu a um grupo de economistas liderado por Mário Centeno para construir um cenário macroeconómico para o programa eleitoral. PSD vai seguir exemplo.

O PSD está a preparar um cenário macroeconómico alternativo para incluir no programa eleitoral que leva às legislativas de outubro. O objetivo é mostrar aos eleitores o impacto das propostas dos sociais-democratas na economia e nas contas públicas.

“Estamos a construir um cenário macroeconómico e orçamental em função das medidas que vamos ter”, disse ao ECO Joaquim Miranda Sarmento, porta-voz do Conselho Estratégico Nacional (CEN) do PSD para a área das finanças públicas.

Dentro do grupo de finanças públicas foi criado um subgrupo só para o cenário macroeconómico. Este grupo vai partir de um cenário de políticas invariantes, que reflete a situação económica e orçamental conhecida até ao momento da sua elaboração e tem em conta somente as medidas já adotadas e legisladas. Depois tem em conta as propostas que o PSD vai levar a votos nas eleições e produz um “cenário alternativo” que permite mostrar o que acontece à economia e ao Orçamento com as ideias dos sociais-democratas, explicou Sarmento.

O Conselho das Finanças Públicas (CFP) divulgou, na semana passada, o relatório sobre as finanças públicas para a próxima legislatura onde antecipa um crescimento económico de 1,6% este ano, seguido de um abrandamento. O défice vai manter-se dentro da margem de segurança dos 3%, mas a instituição vê riscos em torno do Novo Banco, pressões na despesa e avisa que Portugal não tem margem para aumentar a carga fiscal. Em abril, o Governo apresenta o Programa de Estabilidade onde poderá rever em baixa a meta de crescimento do PIB para 2019.

Além do porta-voz faz ainda parte deste grupo o coordenador do grupo de finanças públicas Álvaro Almeida. Para já ainda não está definido se haverá informação suficiente para quantificar o impacto de cada medida individualmente. Ou seja, qual o acréscimo ou redução de despesa e/ou receita. Não está também definido qual será o grau de exposição pública do grupo.

O resultado final deste trabalho fará parte do programa eleitoral que o PSD quer ter pronto em final de junho ou início de julho para os portugueses levarem o documento para ler “nas férias”, anunciou o presidente do CEN, David Justino, a 14 de fevereiro.

Os vários grupos de trabalho do CEN têm estado a preparar documentos temáticos para entregar ao líder do PSD. O Expresso noticiou este mês que uma das propostas que será entregue a Rui Rio passa por uma reforma da Taxa Social Única (TSU) paga pelos patrões (de 23,75%) para incidir mais sobre os lucros das empresas e menos sobre o número de trabalhadores.

Em 2015, o PS introduziu uma novidade na preparação dos programas eleitorais e convidou Mário Centeno, então economista do Banco de Portugal, para construir o cenário macroeconómico que seria integrado no programa eleitoral. Em abril desse ano, Centeno apresentou o cenário que pretendia mostrar que havia uma alternativa à política do Governo de Passos Coelho e ao mesmo tempo cumprir as regras do euro. Esse cenário fez parte do programa eleitoral socialista, mas o partido deixou cair algumas medidas propostas, o que provocou ligeiras alterações ao cenário macro do grupo de economistas.

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