Professores na rua. Pressão alta sobre o PSD

Sindicatos dos professores satisfeitos com a adesão à manifestação. FNE fala em 80 mil docentes na manifestação. Bloco e PCP sobem pressão sobre o PSD de Rui Rio.

Os líderes dos maiores sindicatos dos professores mostraram-se este sábado satisfeitos com a adesão dos docentes à manifestação contra a não contagem do tempo integral de serviço que esteve congelado. Catarina Martins e Jerónimo de Sousa marcaram presença para pressionar o PSD para que do Parlamento saia uma solução que vá ao encontro das pretensões dos professores.

O Governo aprovou um decreto-lei que considera na carreira dos professores dois anos, nove meses e 18 dias do tempo de serviço que esteve congelado. Mas as professores não aceitam um apagão na carreira de cerca de 6 anos e meio e exigem a contagem de nove anos, quatro meses e dois dias.

“Para quem tinha dúvidas sobre se era possível voltar a encher o Terreiro do Paço, o sinal está dado aqui”, disse João Dias da Silva, o dirigente máximo da FNE, sindicato afeto à UGT, em declarações à RTP 3. O sindicalista antecipa que seja possível atingir “de certeza 80 mil manifestantes”. Os números foram avançados quando a totalidade dos professores ainda não tinha chegado ao Terreiro do Paço para onde estava marcada a concentração.

“Nesta legislatura é a maior manifestação”, acrescentou o líder da Fenprof, Mário Nogueira, em declarações à mesma estação de televisão. “Quando chegávamos ao Terreiro do Paço, a manifestação ainda vinha além do meio da Avenida da Liberdade”.

No início do protesto, que começou no Marquês de Pombal, Mário Nogueira tinha lembrado que a manifestação deste sábado não poderia ser diretamente comparável com a de 2008, quando os professores protestaram contra o sistema de avaliação que Maria de Lurdes Rodrigues, ministra da Educação do Governo de José Sócrates. “Hoje há menos 50 mil professores do que em 2008”, disse então à Sic Notícias, acrescentando que “aquela manifestação é irrepetível porque já não temos aqueles professores”.

BE e PCP na manif pressionam PSD

Apesar da decisão do Governo, Bloco, PCP e PSD entregaram pedidos de apreciação parlamentar para forçar o debate deste tema no Parlamento. O objetivo é conseguir aprovar uma solução que garanta a contagem do tempo integral de serviço. Mas os partidos parecem divergir na forma de o fazer, o que pode dificultar uma solução que vingue.

O Bloco quer que o tempo seja pago até 2023, o PCP admite que o faseamento implique o pagamento até 2025, mas o PSD não quer entrar em detalhes apesar de ir avançar com uma proposta própria.

“Determinar que o tempo conta todo é competência da Assembleia da República; determinar de que forma vai ser recuperado, não é”, disse a deputada do PSD, Margarida Mano, ao Expresso.

Na rua, ao lado dos professores, Jerómimo de Sousa, secretário-geral do PCP, optou por pressionar o PSD. “Talvez [o Governo] aguarde mais um favor do PSD”, disse o líder comunista, acreditando que ninguém admitiria que “um terço do seu tempo de serviço se esfumasse”.

Catarina Martins, do Bloco de Esquerda, afirmou esperar que o PSD cumpra o que defendeu no Parlamento e concretize uma proposta que permita contar todo o tempo de serviço.

Nogueira diz que há tempo para solução até fim da legislatura

Se a 16 de abril, no Parlamento, não ficar visível uma solução final para os professores, os sindicatos admitem fazer greve às avaliações de final de ano a partir de 6 de junho e fazer uma manifestação a 6 de outubro.

“Até ao final da legislatura o tempo é mais do que suficiente para uma solução”, disse Mário Nogueira, apesar de o Parlamento fechar por cerca de duas semanas para a campanha das europeias.

O secretário-geral da Fenprof falava no final da manifestação, já no Terreiro do Paço, num discurso transmitido pela Sic Notícias.

Nogueira rejeitou que a solução ponha em causa as contas públicas e lembrou que os professores “aceitam o faseamento”.

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