Portugal entre os três países da OCDE onde gastos com saúde caíram entre 2009 e 2017

A OCDE publica, esta quarta-feira, o Society at a Glance e identifica Portugal como um dos três únicos países onde os gastos com a saúde decresceram, entre 2009 e 2017.

Na última década, a grande maioria dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) viu os seus gastos com a saúde desacelerarem. Em três Estados-membros, este cenário foi um pouco mais negro. Na Grécia, em Portugal e em Itália, este tipo de despesa registou mesmo um decréscimo. Isto segundo o relatório Society at a Glance, divulgado esta quarta-feira.

“Entre 2009 e 2017, a despesa de saúde per capita cresceu, em termos reais, em média, 1,5% por ano, na OCDE. Em contraste, no período entre 2003 e 2009, as taxas de crescimento reais anuais atingiram, em média, 3,7%. Três países — Grécia e, em menor grau, Portugal e Itália — apresentaram mesmo taxas de crescimento anuais negativas para o período entre 2009 e 2017″, frisa aquele organismo.

Grécia, Portugal e Itália foram os três países da OCDE que viram os seus gastos com saúde recuar.OCDE

A organização liderada por José Angél Gurría não adianta justificações para estes casos particulares, mas explica que a tendência geral de contração dos gastos é resultado da redução do valor despendido com os salários dos profissionais deste setor, com a suspensão dos processos de recrutamento, com o recuo dos montantes pagos a prestadores de serviços deste tipo e com a queda da despesa feita com fármacos.

De notar que uma parte do período considerado por este estudo coincide com um período da crise financeira mundial e, em Portugal, da intervenção da Troika (de 2011 até 2014), que se refletiu na degradação do sistema de saúde nacional face à queda do investimento nesse setor.

Isso mesmo tem sido apontado pelos profissionais do setor, que reclamam aumentos salariais e o reforço do investimento geral no setor. Em resposta, o Executivo de António Costa tem sublinhado que a despesa com a saúde cresceu, só nesta legislatura, 1.300 milhões de euros, o que equivale à recuperação de “tudo o que se perdeu na legislatura anterior”.

Os dados divulgados, esta quarta-feira, estabelecem um paralelo com aqueles avançados, na semana passado, no Risks that Matter, inquérito no âmbito do qual 49% dos portugueses disseram que estariam dispostos a pagar mais impostos, se isso resultasse na melhoria dos cuidados de saúde.

À semelhança do caso luso, a Grécia (o país onde os gastos com este setor mais caíram entre 2009 e 2017) foi também alvo de várias intervenções deste tipo, o que deverá servir de justificação para este cenário. Entre 2010 e 2018, este país recebeu ajuda externa, tendo sido alvo de três programas de assistência.

No terceiro país destacado negativamente pela OCDE (a Itália), o recuo é menor. Apesar de também ter atravessado um período de crise, Itália não foi alvo de qualquer programa de ajuda externa, o que poderá explicar a queda menos acentuada dos gastos com a saúde.

Do outro lado da escala, a Coreia do Sul e o Chile foram os países da OCDE onde os gastos com a saúde mais cresceram, tendo aumentado mais de 5%.

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