Abacate, amêndoa e cacau. Como o estilo de vida saudável está a fazer disparar os preços

Valor das matérias-primas agrícolas está a subir nos últimos meses. Além de questões como a guerra comercial, preços reagem à forte procura global.

Qual é a relação entre as selfies no ginásio ou as fotografias da tosta de abacate nas redes sociais e os mercados financeiros? Pode parecer inusitado, mas o preço de matérias-primas agrícolas como o abacate, o cacau ou a amêndoa tem sido influenciado pelo aumento da procura, em parte devido à adoção de um estilo de vida mais saudável entre europeus e norte-americanos.

“Temos tido uma forte procura desde o ano passado”, explicou Tay Hoe Lian, CEO da maior produtora asiática de cacau, a Guan Chong, à Bloomberg. As ações da empresa maláia dispararam mais de 150% no ano passado, com os lucros a duplicarem para 45,8 milhões de euros. O próprio empresário referiu que o chocolate preto é visto como uma alternativa saudável a outros snacks, o que reforçou a procura por cacau, face ao condicionamento de produção na Ásia.

O valor do grão de cacau processado na Ásia aumentou 10% no primeiro trimestre do ano, de acordo com dados da Associação de Cacau da Ásia, que refere que a “procura na região continua robusta”. Mas a tendência não é exclusiva do cacau e estende-se ao abacate (cujos preços são também influenciados pelas restrições impostas pelo Presidente norte-americano Donald Trump) e à amêndoa.

O abacate valorizou 8% ao longo de 2018, desacelerando a nível global face aos anos anterior. Desde 2013, o preço subiu 60%, dando à fruta a alcunha de ‘ouro verde’. No mercado mexicano, o agravamento dos preços foi mais expressivo já que o país (que exporta mais de 80% da produção para os EUA) viu novas tarifas aplicadas pelos norte-americanos.

Já no caso das amêndoas, os Estados Unidos são exportadores (com a Califórnia a liderar a produção) e os preços aumentaram 8% nos sete meses que terminaram no final de fevereiro. A China, maior importador de amêndoas norte-americanas, impôs tarifas no âmbito da guerra comercial e virou-se para a Austrália à procura dos frutos secos. Apesar disso, os EUA conseguiram escoar amêndoas para outros mercados e a produção caiu apenas 1% no mesmo período.

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