Juro da nova dívida pública renova mínimos históricos. Portugal financiou-se a 1,7% no primeiro trimestre

O país financiou-se ao custo mais baixo de sempre no ano passado e a tendência manteve-se no início de 2019. Além da redução dos juros, a maturidade média da dívida continua a crescer.

O custo de financiamento de Portugal nos mercados voltou a cair no início de 2019. Os juros pedidos pelos investidores para comprar dívida pública nacional mantiveram, no primeiro trimestre, a tendência de redução dos últimos anos e atingiu o valor mais baixo de sempre.

A taxa de juro média paga por Portugal em novas emissões de Bilhetes do Tesouro (BT), Obrigações do Tesouro (OT) e Obrigações MTN situou-se em 1,7%, graças ao reforço da confiança dos investidores em Portugal e às condições externas favoráveis. O valor fica abaixo da taxa de 1,8% registada ao longo de 2018 e representa uma forte quebra face aos 2,6% de 2017, de acordo com o boletim mensal da Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP).

Os juros têm vindo gradualmente a cair desde 2011, ano em que Portugal pediu o resgate financeiro e pagou uma média de 5,8% pela nova dívida. As novas emissões seguiram a tendência do custo da dívida portuguesa a 10 anos em mercado secundário. Desde o início do ano que tem caído de forma expressiva, tendo tocado mínimos históricos de 1,202%, a 9 de abril. Esta segunda-feira, negoceiam 1,128%.

É preciso entender o valor que cumprir as metas orçamentais tem para a credibilização da política económica em Portugal“, afirmou o ministro das Finanças, Mário Centeno, na apresentação do Programa de Estabilidade, em que estima que a despesa pública com a gestão da dívida continue a cair até 2022. “Não são as políticas do BCE que fazem esses diferenciais evoluírem. Não explicam as diminuições dos diferenciais”, defendeu, sobre o programa de compra de ativos do Banco Central Europeu que tem levado a uma quebra generalizada nos juros da Zona Euro.

Despesa pública com juros da dívida cai desde 2011

Reembolso ao FMI faz descer custo do stock

Além da nova dívida, também o custo de gestão do total da dívida existente caiu, para 2,8% em 2018, segundo revela o mesmo boletim do IGCP. Já se sabia que o reembolso antecipado do empréstimo do Fundo Monetário Internacional (FMI) iria ter impacto no valor pago por Portugal pois este tinha um custo acima da média, mas o valor é apenas conhecido esta segunda-feira. A taxa compara com 3% do ano anterior e tem vindo também a cair desde 2011.

O empréstimo da troika não está, no entanto, ainda pago e faltam os credores europeus: 24,3 mil milhões de euros ao Mecanismo Europeu de Estabilidade (atual Fundo de Resgate Europeu) e 27,3 mil milhões de euros ao Fundo Europeu de Estabilização Financeira. O custo estimado é de 2,6% pelo primeiro e e 1,7% pelo segundo. Em entrevista ao ECO, o Governo admitiu a possibilidade de aproveitar a queda dos juros para começar a pagar antecipadamente também esta parte da dívida contraída durante a crise.

“Com os pagamentos antecipados ao FMI, Portugal poupou mais de 850 milhões de euros, tomando como referência o custo médio do financiamento obtido nos 12 meses anteriores a cada pagamento. Da mesma forma, não excluímos a possibilidade de um reembolso antecipado dos empréstimos europeus em 2019, caso tal permita reduzir o custo do financiamento e melhorar a sustentabilidade da dívida”, afirmou o Secretário de Estado Adjunto e das Finanças, Ricardo Mourinho Félix.

A par do reembolso antecipado de dívida mais cara, o IGCP tem aproveitado também a redução nos juros para emitir dívida mais longa e realizar trocas de dívida. Foi o que aconteceu no primeiro trimestre do ano: a maturidade média dos novos empréstimos contraídos subiu para 10,4 anos, face aos 10,3 anos em 2018 e 7 em 2017. A dívida portuguesa tem atualmente uma maturidade média de 7,8 anos, segundo indicam ainda os dados da agência liderada por Cristina Casalinho.

Tesouro continua a aumentar o prazo da nova dívida emitida

Uma carta aos nossos leitores

Vivemos tempos indescritíveis, sem paralelo, e isso é, em si mesmo, uma expressão do que se exige hoje aos jornalistas que têm um papel essencial a informar os leitores. Se os médicos são a primeira frente de batalha, os que recebem aqueles que são contaminados por este vírus, os jornalistas, o jornalismo é o outro lado, o que tem de contribuir para que menos pessoas precisem desses médicos. É esse um dos papéis que nos é exigido, sem quarentenas, mas à distância, com o mesmo rigor de sempre.

Aqui, no ECO, estamos a trabalhar 24 horas vezes 24 horas para garantir que os nossos leitores têm acesso a informação credível, rigorosa, tempestiva, útil à decisão. Para garantir que os milhares de novos leitores que, nas duas últimas semanas, visitaram o ECO escolham por cá ficar. Estamos em regime de teletrabalho, claro, mas com muita comunicação, talvez mais do que nunca nestes pouco mais de três anos de história.

  • Acompanhamos a cobertura da atualidade, porque tudo é economia.
  • Escrevemos Reportagens e Especiais sobre os planos económicos e as consequências desta crise para empresas e trabalhadores.
  • Abrimos um consultório de perguntas e respostas sobre as mudanças na lei, em parceria com escritórios de advogados. Contamos histórias sobre as empresas que estão a mudar de negócio para ajudar o país
  • Escrutinamos o que o Governo está a fazer, exigimos respostas, saímos da cadeira (onde quer que ele esteja) ou usamos os ecrãs das plataformas que nos permitem questionar à distância.

O que queremos fazer? O que dissemos que faríamos no nosso manifesto editorial

  • O ECO é um jornal económico online para os empresários e gestores, para investidores, para os trabalhadores que defendem as empresas como centros de criação de riqueza, para os estudantes que estão a chegar ao mercado de trabalho, para os novos líderes.

No momento em que uma pandemia se transforma numa crise económica sem precedentes, provavelmente desde a segunda guerra mundial, a função do ECO e dos seus jornalistas é ainda mais crítica. E num mundo de redes sociais e de cadeias de mensagens falsas – não são fake news, porque não são news --, a responsabilidade dos jornalistas é imensa. Não a recusaremos.

No entanto, o jornalismo não é imune à crise económica em que, na verdade, o setor já estava. A comunicação social já vive há anos afetada por várias crises – pela mudança de hábitos de consumo, pela transformação digital, também por erros próprios que importa não esconder. Agora, somar-se-ão outros fatores de pressão que põem em causa a capacidade do jornalismo de fazer o seu papel. Os leitores parecem ter redescoberto que as notícias existem nos jornais, as redes sociais são outra coisa, têm outra função, não (nos) substituem. Mas os meios vão conseguir estar à altura dessa redescoberta?

É por isso que precisamos de si, caro leitor. Que nos visite. Que partilhe as nossas notícias, que comente, que sugira, que critique quando for caso disso. O ECO tem (ainda) um modelo de acesso livre, não gratuito porque o jornalismo custa dinheiro, investimento, e alguém o paga. No nosso caso, são desde logo os acionistas que, desde o primeiro dia, acreditaram no projeto que lhes foi apresentado. E acreditaram e acreditam na função do jornalismo independente. E os parceiros anunciantes que também acreditam no ECO, na sua credibilidade. As equipas do ECO, a editorial, a comercial, os novos negócios, a de desenvolvimento digital e multimédia estão a fazer a sua parte. Mas vamos precisar também de si, caro leitor, para garantir que o ECO é económica e financeiramente sustentável e independente, condições para continuar a fazer jornalismo de qualidade.

Em breve, passaremos ao modelo ‘freemium’, isto é, com notícias de acesso livre e outras exclusivas para assinantes. Comprometemo-nos a partilhar, logo que possível, os termos e as condições desta evolução, da carta de compromisso que lhe vamos apresentar. Esta é uma carta de apresentação, o convite para ser assinante do ECO vai seguir nas próximas semanas. Precisamos de si.

António Costa

Publisher do ECO

Comentários ({{ total }})

Juro da nova dívida pública renova mínimos históricos. Portugal financiou-se a 1,7% no primeiro trimestre

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião