Novos aviões da TAP fazem economia descolar no início de 2019

A companhia aérea recebe este ano 30 aviões. Efeito benéfico no investimento, e no PIB, deve prolongar-se ao longo de 2019.

A chegada de novos aviões à TAP nos primeiros três meses do ano ajudou a economia portuguesa a acelerar no arranque de 2019. E este contributo pode não se ter esgotado. A companhia aérea portuguesa prevê que este ano entrem em operação um total de 30 novos aviões.

A estimativa rápida do Instituto Nacional de Estatística (INE), publicada esta quarta-feira, revela que a economia cresceu 0,5% nos primeiros três meses quando comparados com o último trimestre de 2018, o que permitiu uma aceleração na taxa de variação homóloga que foi de 1,8%, acima dos 1,7% registados no final do ano passado.

Os dados do Eurostat mostram ainda que Portugal cresceu, em termos de variação homóloga, mais que a Zona Euro (1,2%) e que a União Europeia (1,5%), com a economia portuguesa a acelerar ao passo que os blocos do euro e europeu apresentaram crescimentos iguais aos registados no fim de 2018.

O INE só revela dados finais a 31 de maio, mas na informação publicada esta quarta-feira, avança algumas pistas. A procura interna deu um contributo maior para o crescimento do PIB, “refletindo uma aceleração significativa do investimento”.

Numa nota elaborada pelo Departamento de Estudos Económicos e Financeiros, o BPI avança uma explicação mais detalhada para o que se passou no investimento. “Este facto está em linha com o comportamento de vários indicadores no primeiro trimestre de 2019, nomeadamente a robustez das importações de bens de capital (incluindo transportes, reflexo da compra de aeronaves pela TAP) e a evolução positiva do volume de negócios no mercado interno dos bens intermédios e de investimento, que avançaram, respetivamente, 2% e 2,3% em termos homólogos no primeiro trimestre de 2019.”

A companhia aérea tem em curso este ano um aumento da frota de aviões através de contratos de locação operacional (ou seja, não se trata de uma compra, mas sim de um investimento através do pagamento de rendas pelo uso dos aviões com reflexos no PIB). Para 2019 está prevista a entrada em operação de 30 novos aviões — 16 A330 Neo, quatro A321 Long Range, cinco A321 Neo e cinco A320 Neo –, naquela que será “a maior operação de phase-in de aeronaves da história da TAP”, segundo a empresa.

Nos contratos de locação operacional, é o locador que fica responsável pelas despesas de manutenção e no final a TAP tem opção de compra do avião pelo preço de mercado.

Não há informações nesta altura sobre a dimensão da ajuda que a TAP deu ao PIB no primeiro trimestre, mas o valor atual de mercado destes aviões permite ficar com uma ideia do que estes investimentos representam. Cada A330 Neo, de que a TAP vai ter 16, tem um preço de tabela unitário de 264 milhões de euros (tendo em conta a cotação de hoje para o dólar), segundo a informação para os preços médios de 2018 praticados pela Airbus.

A operação da TAP permite ainda perceber que este é um efeito que se deverá arrastar ao longo do ano já que os 30 aviões vão entrar de forma faseada.

Mas se, por um lado, o reforço do investimento é uma boa notícia — Mário Centeno e António Costa já a assinalaram — por outro há o reverso da medalha. Mais investimento significa mais importações. “Este maior crescimento (do investimento) reflete-se no aumento das importações, onde se destaca o crescimento expressivo da importação de bens de investimento, como é o caso de máquinas e outros bens de capital, material de transporte e produtos transformados destinados à indústria”, dizia o Ministério das Finanças em reação aos números do PIB.

E o impacto não é de somenos importância. “Com a exceção do investimento em construção, o restante investimento também pesa bastante nas importações e terá contribuído para que o contributo da procura externa líquida tenha sido mais negativo“, diz António Ascensão Costa, coordenador da Síntese de Conjuntura do ISEG.

O economista defende que, para que a meta do Governo de um crescimento de 1,9% para a totalidade de 2019 se concretize (para já o crescimento de 1,8% não chega), seria “desejável” que houvesse uma recuperação nas exportações. “Isto depende muito da resolução das tensões no comércio mundial e do crescimento da procura mundial que continua incerto”. Aos riscos que chegam de fora junta-se outro fator: “Ao aumentar o peso das exportações no PIB, como aconteceu nos anos mais recentes, a economia portuguesa também ficou mais sensível às oscilações da conjuntura económica internacional e vamos ter de aprender a viver com isso“, acrescenta o professor do ISEG.

Para já Portugal cresce acima dos parceiros graças ao dinamismo da procura interna — “nomeadamente consumo privado, ainda a recuperar da crise e a beneficiar do crescimento do rendimento disponível devido ao menor desemprego, e Investimento (neste primeiro trimestre de 2019)”. Ao mesmo tempo que Alemanha, França e Itália — pesos pesados no bloco do euro — penalizam o conjunto da Zona Euro.

Quanto ao futuro, o Ministério das Finanças acredita que Portugal construiu “bases sólidas” para continuar a crescer e a convergir com os principais parceiros comerciais.

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