Joe Berardo recebeu 48 milhões em benefícios fiscais ao longo de três anos

  • ECO
  • 18 Maio 2019

A Empresa Madeirense de Tabacos foi a principal beneficiária. Razões prendem-se com taxa reduzida de imposto sobre o tabaco e de menor IRC na Zona Franca da Madeira, segundo o Expresso.

As empresas de Joe Berardo acumularam mais de 48 milhões de euros em benefícios fiscais entre 2015 e 2017, segundo noticia este sábado o Expresso (acesso pago). Quase todo o valor diz respeito à Empresa Madeirense de Tabacos (EMT), segundo relevam as estatísticas da Autoridade Tributária consultadas pelo semanário.

A tabaqueira (participada em 48,8% pela Fundação José Berardo) obteve 16 milhões de euros em benefícios fiscais em 2015, a que se seguiram 19 milhões em 2016 e 13,1 milhões em 2017. Benefícios que resultam da aplicação nas regiões autónomas de uma taxa mais baixa de imposto sobre o tabaco e de uma redução do IRC por estar instalada na Zona Franca da Madeira.

Além destes 48,1 milhões, houve outras empresas detidas pelo madeirense a beneficiar de taxas mais reduzidas. O Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI) e o Imposto de Selo pouparam 36 mil à Fundação José Berardo, enquanto IRC e Imposto Municipal sobre Transmissões de Imóveis (IMT) de cerca de 42 mil não foram pagos pela Bacalhôa Vinhos de Portugal. Já a Matiz, empresa ligada à Quinta da Bacalhôa, recebeu um benefício fiscal de 12 mil euros, acrescenta o Expresso.

O comendador foi na semana passada à Assembleia da República para responder às perguntas dos deputados sobre os créditos ruinosos em que se envolveu e que acabaram por resultar em perdas de milhões à Caixa Geral de Depósitos (CGD). Segundo a auditoria da EY, Berardo devia ao banco público cerca de 320 milhões de euros, no final de 2015.

A consultora quantifica as perdas por imparidade na ordem dos 150 milhões de euros, mas a CGD não é o único banco que ficou a perder com o empresário. O BCP e o Novo Banco também foram lesados com os empréstimos. Os três bancos avançaram em conjunto para os tribunais para tentar recuperar parte dos 864 milhões de euros que emprestaram ao empresário e dos quais foram devolvidos apenas 2,2 milhões de euros entre 2012 e 2029, de acordo com dados consultados pelo Observador.

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Joe Berardo recebeu 48 milhões em benefícios fiscais ao longo de três anos

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião