Confiança na empresa tem impacto na competitividade

  • Ricardo Vieira
  • 23 Maio 2019

Estudo da Accenture Strategy mostra que a perda de confiança custou milhões de dólares às empresas.

Uma empresa B2C promoveu um evento orientado para a sustentabilidade que por não ter resultado bem levou a uma perda de confiança dos seus stakeholders. Daí resultou publicidade negativa que fez cair o Índice de Agilidade Competitiva, as receitas diminuíram em 400 milhões de dólares e o EBITDA (lucros antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) diminuiu em 200 milhões. Outra empresa B2B mencionada em alegações de branqueamento de capitais, registou também uma perda de confiança que fez as receitas baixarem em 1,8 mil milhões de dólares, com o EBITDA a cair 500 milhões de dólares.

São apenas dois exemplos citados no “The Bottom Line on Trust”, um relatório da Accenture Strategy que mostra que uma diminuição na confiança dos stakeholders (clientes, investidores, colaboradores, fornecedores, analistas e media) pode ter um impacto substancial na competitividade das empresas. Aliás, dados indicam que 54% das empresas analisadas sofreram uma queda no grau de confiança, o equivalente à perda de 180 mil milhões de dólares de potenciais receitas.

“A confiança já não pode ser levada de forma “leviana” nas organizações. Atualmente podemos quantificar o impacto da confiança, especialmente o da perda desta na receita das empresas e no crescimento do EBITDA. Desde recolhas de produto e violações de dados ou erros da equipa executiva, as quebras de confiança representam um risco cada vez maior para a saúde financeira das empresas. Os líderes atuais devem cumprir as promessas da sua empresa de forma a limitar o impacto duradouro que um grande incidente de confiança pode ter sobre a sua competitividade”, atesta Pedro Galhardas, managing director responsável pela Accenture Strategy em Portugal.

O relatório sobre o Accenture Strategy Competitive Agility Index, que quantifica o impacto que a confiança tem numa empresa, refere que a capacidade de gerir e medir a confiança como parte da estratégia de uma empresa tornou-se uma vantagem competitiva fundamental. “A nossa análise mostra que as empresas não podem mais depender apenas de indicadores tradicionais ou históricos, como o valor de mercado e o retorno total ao acionista para um enquadramento completo da sua competitividade futura”, lê-se no relatório da consultora.

Para este estudo foram analisadas 7.030 organizações em 20 setores, quantificando o impacto que a confiança tem numa empresa, para isso foram utilizados dados disponíveis ao público, incluindo dados históricos e dados futuros estimados, bem como outras medidas de sustentabilidade e confiança.

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