“Porque dormimos?”, de Matthew Walker

O sono é imprescindível na nossa vida mas é, frequentemente, um aspeto negligenciado e incompreendido entre o ritmo alucinante a que operamos e nos mexemos hoje em dia e os deadlines constantes.

Quantas são as vezes que negligenciamos uma boa noite de sono? Demasiadas? A longo prazo, vamos sentir efeitos drásticos na nossa saúde. Neste livro, Matthew Walker, especialista mundial em sono, conta quais as consequências físicas e psicológicas de não dormir bem, com base nas últimas descobertas científicas.

O sono é imprescindível na nossa vida mas é, frequentemente, um aspeto negligenciado e incompreendido entre o ritmo alucinante a que operamos e nos mexemos hoje em dia e os deadlines constantes. Seja por uma hora a mais nas redes sociais antes de dormir, seja a responder emails, muitas vezes não deixamos o cansaço vencer-nos e adiamos horas preciosas de sono durante noites a fio. O que vai refletir-se no nosso dia-a-dia e no futuro.

Dormir faz bem… mas a quê?

Neste livro, Matthew Walker ajuda a aprofundar o nosso conhecimento dos verdadeiros benefícios que o sono traz e como a sua falta impacta no nosso bem-estar a curto e longo prazo. “Este livro vai revelar uma verdade bastante diferente: o sono é infinitamente mais complexo, profundamente mais interessante e assustadoramente mais relevante para a nossa saúde. Dormimos por uma enorme litania de funções, uma constelação abundante de benefícios noturnos que servem o nosso corpo e o nosso cérebro. Aparentemente, não existe nenhum órgão no corpo nem nenhum processo cerebral que não seja otimizado e melhorado pelo sono”, pode ler-se nas primeiras páginas.

Por que razão dormimos ou por que razão a saúde é tão afetada quando não dormimos são aspetos que estão a ser apenas compreendidos agora.

Ao apresentar novas descobertas científicas com base nas últimas investigações, o autor mostra que o sono está na base do que “somos, física e psicologicamente”, e estabelece, por exemplo, uma ligação entre a privação de sono e doenças como a depressão, doenças cardíacas, diabetes, cancro ou o Alzheimer.

Entre melhorar a nossa capacidade para memorizar e tomar decisões lógicas, regular o nosso apetite e abrandar os efeitos do envelhecimento e aumentar a longevidade, o sono é o motor que nos revitaliza e uma das chaves para o nosso bom funcionamento.

Muito aclamado lá fora, o livro por cá tem tido um bom feedback, que vai chegando aos poucos. É pelo menos é isso que o editor Luís Corte Real, da Desassossego, explica à Pessoas. “Mas para já deparamo-nos com a surpresa, de alguns leitores, com a complexidade do sono”, conta. A seu ver, este é um livro que “procura responder a algumas perguntas que o ser humano faz há muito tempo e que só agora, com a ciência mais moderna, começamos a conseguir responder”. Com essas perguntas respondidas no livro, já “não há desculpa para negligenciar o sono por ignorância. Apenas por opção, mas sabendo bem qual o preço a pagar”, aponta.

Sobre os desafios do processo de edição do livro, Luís Corte Real explica que foi pacífico e não lhes tirou o sono, dado o sucesso internacional e o facto de o autor ser uma referência nesta área.

Faltam livros para despertar?

Recentemente, em entrevista ao Expresso, o autor Gonçalo M. Tavares dizia que as pessoas não devem ler livros quando estão cansadas porque “a função da arte e da literatura não é descansar. É acordar, perturbar, refletir. Não deveríamos ver arte ou ler livros quando estamos cansados. A literatura e a arte exigem muito de nós”. Será que a literatura que “acorda” ainda tem lugar num mundo de pessoas que dormem mal?

“Tendo como base essa frase concebida, parece-me, devo dizer que a literatura é um mundo imenso. Nenhum autor ou leitor experimentado o descobre ou visita na totalidade”. Na literatura há lugar para livros que exigem muito de nós; são assim alguns dos meus favoritos. Mas também para livros que pegam nas nossas mãos e nos levam sem esforço; também são assim outros tantos favoritos. Não estou preocupado com o risco da literatura exigente desaparecer. Só quem anda distraído o pode temer.

E “Porque Dormimos” entrará nesta categoria? “Não”, responde o editor. “Este é dos tais que acorda, perturba e faz refletir”, mas se os leitores estiverem cansados quando o forem ler vão adormecer, adverte. “É a chamada win-win situation”.

Sobre o autor:

Matthew Walker é professor de Neurociência e Psicologia na Universidade de Berkley e diretor do laboratório de sono e neuroimagiologia na mesma universidade. Foi também professor de psiquiatria na Universidade de Harvard. Publicou vários estudos científicos e participou em programas como o 60 Minutes, Nova, BBC News e Science Friday.

Editora: Desassossego

Páginas: 416

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