Banco de Portugal vê economia a abrandar mais em 2020. Alerta para regresso do défice na balança comercial

Portugal vai regressar já este ano aos défices comerciais ao fim de sete anos de excedentes. Este desequilíbrio acontece com uma economia ainda endividada o que merece alguma cautela.

O Banco de Portugal prevê um crescimento do PIB de 1,6% no próximo ano, uma décima abaixo do projetado em março, e antecipando assim uma desaceleração da economia face a 2019. O novo cenário macroeconómico para Portugal, que consta do Boletim Económico divulgado esta quarta-feira, revela que Portugal afinal regressa já este ano a uma posição de desequilíbrio na balança comercial de bens e serviços de onde tinha saído em 2012.

Para este ano, a instituição liderada por Carlos Costa aponta para uma previsão de subida do PIB igual a 1,7%, mantendo assim a projeção divulgada em março. Isto apesar das boas notícias do primeiro trimestre, que apontaram para uma aceleração.

Mas para o próximo ano, o Banco de Portugal está mais pessimista. Se há três meses via a economia a crescer o mesmo em 2019 e 2020, neste boletim vê a economia a abrandar, ao projetar uma subida do PIB de 1,6%.

Esta nova previsão coloca o Banco de Portugal alinhado com o Conselho das Finanças Públicas (CFP) e mais próximo do Fundo Monetário Internacional (FMI), que antecipa um crescimento económico de 1,5% para 2020 – a instituição com a perspetiva mais pessimista para Portugal para o próximo ano. Para esse ano, Portugal assumiu uma previsão de crescimento de 1,9% junto das instituições europeias, no âmbito do Programa de Estabilidade, igual à que antecipa para o ano em curso.

Para 2021, o último ano do horizonte de projeção, o banco central mantém a mesma taxa de crescimento que tinha em março, de 1,6%.

Mas se ao nível das previsões e crescimento não há alterações significativas face ao boletim de março, o Banco de Portugal espera novidades ao nível da balança comercial de bens e serviços.

O banco prevê que já este ano a balança apresente um saldo negativo de 0,5% do PIB. Nas previsões de março, 2019 era visto como um ano ainda de excedente.

Esta previsão assume especial relevância por vários motivos:

  • 2011, quando Portugal pediu ajuda externa, foi o último ano em que Portugal teve um saldo da balança comercial negativo (de 3,7% do PIB);
  • Entre 2012 e 2018 Portugal conseguiu sempre apresentar excedentes;
  • Nestas previsões de junho, o banco antecipa em um ano o regresso ao desequilíbrio externo;
  • Este regresso acontece quando a economia portuguesa ainda tem níveis de endividamento elevados.

Dentro de dois anos, este défice terá mais que duplicado, segundo o Banco de Portugal. A degradação mais acelerada da balança comercial de bens e serviços resulta de uma recomposição do crescimento do PIB, com um contributo da procura interna superior ao das exportações.

No entanto, há fatores que podem suavizar este sinal de alarme. Para 2019, o banco central aponta para um crescimento das exportações superior ao que era indicado em março, mas as importações revelam também um impulso. Para 2020, as exportações vão crescer abaixo do esperado há três meses. Nas importações, há diferenças entre um ano e outro. Há uma revisão em alta nas compras ao exterior para 2020 mas em baixa no ano seguinte.

Apesar do impulso nas importações passar uma ideia prejudicial para a economia, são as compras de bens de equipamento que estão a justificar este aumento, o que pode traduzir-se num reforço do produto potencial.

A instituição liderada por Carlos Costa antecipa que Portugal continua, porém, a apresentar excedentes na balança corrente e de capital (que mede a capacidade de financiamento da economia) graças à redução dos juros da dívida pública e ao aumento das transferências da União Europeia para Portugal. Este é indicador é seguido com muita atenção pelos economistas quando querem avaliar a existência de desequilíbrios externos.

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