“O excedente é a prova que se pode investir mais”, diz Catarina Martins

Confrontada com os números divulgados pelo INE, a líder do Bloco afirmou que existir excedente orçamental significa que pode haver investimento e insistiu que os transportes devem ser um dos alvos.

O excedente orçamental do Estado é a “prova”, para a líder do Bloco de Esquerda, “que se pode investir mais”. Esta manhã, o Instituto Nacional de Estatísticas (INE) divulgou que as Administrações Públicas tiveram um excedente orçamental no primeiro trimestre do ano de 178,5 milhões de euros, o equivalente a 0,4% do Produto Interno Bruto (PIB).

Em declarações aos jornalistas, Catarina Martins, após um encontro com a Comissão de Trabalhadores do Metro de Lisboa, relembrou que a medida que reduziu o valor dos passes sociais está a ser “um sucesso”. Contudo, há o reverso da moeda: “Esta medida está a ser assombrada por um objetivo que não está a ser cumprido, que é o investimento”, disse, em declarações emitidas pela RTP 3. Objetivo esse que, a seu ver, pode ser concretizado graças ao excedente orçamental do Estado.

Nos transportes coletivos, o primeiro problema passa, desde logo, pela falta de mão-de-obra. “Não há gente suficiente nas bilheteiras, não há maquinistas…”, disse a líder do Bloco, acrescentando que mesmo que sejam encomendadas novas carruagens, até lá é preciso fazer contratações.

“É essencial (e pode ser feita já) a contratação dos trabalhadores que faltam nos transportes coletivos”, afirmou. “Não investir hoje quer dizer aumentar a dívida por falta de transportes e quer dizer aumentar a crise climática”, continuou.

Dos transportes para as taxas moderadoras

Catarina Martins comentou, também, as taxas moderadoras na saúde. A líder do Bloco recordou que vários portugueses “não acedem aos cuidados de saúde por causa das taxas moderadoras” e reforçou que esta medida, que acaba com estas taxas, é “muito importante” para os bloquistas.

“Registo, com simpatia o enorme consenso que se gerou no Parlamento para que as taxas moderadores (que não moderam) acabem”, disse, acrescentando que acabar com este “bloqueio” significa “promover a saúde pública”.

Questionada pelos jornalistas sobre as declarações de Carlos César, líder parlamentar do PS, Catarina Martins disse apenas que “alguns partidos mudaram de ideias e agora querem limitar este avanço, que é tão essencial para a saúde”. “O Bloco fez uma proposta e quer que essa proposta seja lei”, rematou.

Recorde-se que, esta segunda-feira, Carlos César invocou o sentido de “responsabilidade financeira” e a rejeição de “aventureirismos” para defender o faseamento do fim das taxas moderadoras e afirmou que o Bloco de Esquerda não manda no país.

“Aceitamos uma acusação: o PS atua com sentido de responsabilidade, com conta peso e medida nas opções a tomar. Se nós fossemos sempre atrás do estilo de aventura de que tudo é fácil, tudo é barato e tudo pode ser feito – argumentos que o Bloco de Esquerda, em especial, mas também alguns dos nossos parceiros alimentam frequentemente -, teríamos um país com uma mão à frente e outra atrás de novo. Voltaríamos ao tempo da bancarrota. Mas com o PS isso não volta a acontecer”, disse o socialista.

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