Bankinter leva papel comercial da Mota-Engil a Espanha

O Bankinter está a captar empresas portuguesas para emissões em Espanha. Mota-Engil faz emissão de 33,5 milhões.

A Mota-Engil voltou ao mercado de dívida para emitir 33,5 milhões de euros em papel comercial. O objetivo inicial era mais baixo, mas a forte procura levou a empresa a aumentar a oferta. A operação aconteceu a partir de Espanha junto de investidores institucionais estrangeiros e a construtora espera continuar a apostar neste tipo de ativo para se financiar.

“Temos experiência do papel comercial português e — seja por inexistência de outras fontes de financiamento em Portugal, seja por uma base de investidores diminuta — mostrou ser menos competitivo [que em Espanha]“, afirmou Ricardo Saramago, diretor de finanças corporativas da Mota-Engil, em declarações ao ECO.

O apetite dos investidores internacionais por papel comercial da Mota-Engil “superou as expectativas” e a oferta acabou por ser revista em alta. A procura final por títulos com maturidade entre dois meses e um ano superou a oferta em 1,8 vezes, na operação que ficou fechada este mês.

A taxa de juro correspondente situou-se num intervalo entre 2% e 3% (consoante a maturidade). O valor, que devido ao baixo montante da emissão não tem impacto no custo médio da dívida da construtora, compara com a taxa de juro de 4,5% que a Mota-Engil pagou num empréstimo obrigacionista em novembro do ano passado.

“São operações distintas. Esta é a curto prazo, enquanto a de novembro foi de longo prazo e enquadra-se no objetivo estratégico do banco de diversificar fontes de financiamento. Apesar de ser junto de investidores institucionais e internacionais, não é normalmente o mesmo bolso. É financiamento que vem de bolsos diferentes”, sublinhou Ricardo Saramago.

O encaixe financeiro da nova emissão servirá para fazer face a “necessidades mais imediatas e fluxos de tesouraria”, sendo que está nos planos fazer novas colocações. “Estas operações, de curto prazo, são recorrentes e o que se espera é que sejam renovadas sistematicamente para que se possa manter esta alternativa de financiamento aberta”, acrescentou o diretor de finanças corporativas.

José de Mello Saúde também emitiu. Há mais interessadas

A Mota-Engil abriu uma linha de 50 milhões de euros junto do Bankinter, que apresentou esta quinta-feira esta nova opção de emissão de papel comercial admitido à negociação no Mercado Alternativo de Renta Fija (MARF) a clientes portugueses. Assim, a construtura tem ainda 16,5 milhões de euros disponíveis a emitir no prazo de um ano.

“Os investidores pedem-nos empresas novas, de países novos e setores novos. E têm pouca exposição a Portugal. Os investidores [institucionais estrangeiros] querem maior exposição ao risco em Portugal”, afirmou Borja Uriarte, diretor da banca de investimento do Bankinter.

Apesar de o produto ter sido apresentado apenas agora, já há duas operações concretizadas. Além da Mota-Engil, também a José de Mello Saúde emitiu 15 milhões de euros (numa linha que lhe permite igualmente ir até aos 50 milhões) no final do ano passado, com um juro entre 0,65% (a dois meses) e 0,70% (a três meses).

 

Temos outras empresas com as quais estamos a trabalhar, mas ainda não podemos dizer os nomes”, disse Uriarte, acrescentando que dentro de dois meses haverá uma nova operação. Indústria e consumo são os setores em que vê maior potencial.

Apesar de considerar que há forte interesse, o banco reconhece o trauma português em relação ao papel comercial, especialmente após as elevadas perdas de aforradores que investiram no papel comercial do falido Banco Espírito Santo. Atualmente, apenas 1,2% das carteiras de investimento é papel comercial e, em todas as emissões do Bankinter, investidores portugueses têm uma participação apenas “residual”.

É verdade que o conceito de papel comercial está associado a uma má imagem, mas são situações distintas. Este papel comercial é tomado por investidores institucionais e não de retalho. Portanto, os investidores institucionais estão muito mais bem informados que os particulares. Por outro lado, o quadro regulatório alterou-se e hoje o regulador é muito exigente em relação a todos os novos normativos que é preciso cumprir”, referiu Joaquim Castro, diretor da banca de investimento do Bankinter, em Portugal.

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