Paulo de Barros Baptista: “Não consigo regressar de uma viagem sem saber qual é a próxima”

  • ADVOCATUS
  • 1 Julho 2019

É advogado da Brisa, já foi à Índia 17 vezes, a fotografia é a sua válvula de escape, tem duas tatuagens e um brinco que tira assim que entra na VdA, o único sítio onde se imagina a exercer.

A renovada sede da Vieira de Almeida ainda é caso para nos deixar boquiabertos, mas nem só de arquitetura futurista se faz esta firma. Há qualquer coisa no espírito destes advogados que evoca sentido de união e um misto de informalidade e confiança.

“Aqui não há o ‘senhor doutor’, aqui todos nos tratamos por tu”, diz-nos Paulo de Barros Baptista, sócio responsável pela área de infraestruturas e mobilidade, quando explica por que razão não trocaria esta sociedade por outra qualquer. “É isso que marca o nosso ADN”. Está na VdA há 24 anos e viu o escritório passar essa mensagem quando eram só dez até hoje, com 300 advogados. “É isso que nos torna únicos, não é só o mindset, é a cultura”.

Paulo de Barros Baptista compartilha dessa visão e desse espírito. Fala com entusiasmo e sorri muito quando recorda o seu percurso. À Advocatus admite que o curso de direito não foi difícil, “foi só decorar umas coisas”, e que ter tido matemática no secundário foi decisivo, até porque o “direito vai beber muito à matemática”, sobretudo na lógica.

Também a memória e a herança do avô — Henrique de Barros, figura importante da política portuguesa depois do 25 de abril — ficou consigo até hoje: a de ter presente uma causa pública em tudo o que faz. “O meu avô Henrique era o meu ídolo”, conta, emocionado, quando lembra a altura em que almoçavam todos os dias e os seus diários da Assembleia Constituinte, que guardou no seu escritório em casa.

“Muitas vezes vou folhear e vejo os discursos do meu avô. Noto com bastante tristeza como a política de então era tão diferente da que se faz hoje em dia”, admite. “Criei uma relação com o meu avô que, de facto, era muito especial. Ele foi e é uma figura proeminente na minha vida”.

Percurso e especialização

O advogado esteve no Deutsche Bank como in-house, fez um ano de intercâmbio em Espanha na Gómez-Acebo & Pombo, “aquilo a que eu chamo o meu Erasmus”, e depois descolou até São Paulo, para fazer um contrato com a Brisa.

Estávamos em 2000, e foi a partir desse momento que Barros Baptista começou a trabalhar na área das infraestruturas, nomeadamente com autoestradas. “Gostaram de mim na Brisa e pediram-me para ir acompanhando outros projetos, aqui em Portugal e noutras jurisdições”. Desde então especializou-se nesta área, que lhe dá um gozo especial por ser muito concreta. “Se estivesse numa área que não tivesse esta componente tangível se calhar já tinha desistido”, admite.

Não foram poucas as vezes, no entanto, em que esse pensamento lhe passou pela cabeça: deixar a advocacia e dedicar-se a viajar e a fotografar, as suas duas “válvulas de escape”. Já teve exposições suas, fez retrato na Índia, onde foi 17 vezes, no Vietname, Laos, Cambodja, Nepal… Só para nomear alguns. Agora dedica-se a explorar o continente africano para fotografar animais. Este ano segue para a Tanzânia. “Não consigo regressar de uma viagem sem saber qual é a próxima”, revela.

“Inovação não se decreta” e como a tecnologia veio para ficar

Com o pelouro da inovação da firma, Paulo de Barros Baptista conta como essa cultura inovadora da firma não se decretou, mas foi antes sendo implementada aos poucos. Hoje em dia é um dos quatro valores da sociedade. “Foi uma aposta que correu muito bem e hoje em dia toda a gente menciona a inovação como um dos fatores diferenciadores da VdA”.

Com os recentes avanços da Inteligência Artificial (IA) a dominarem o mercado de trabalho, o advogado assegura que vai representar um enorme desafio ao desenvolver da profissão. “Quando dizem que um robô nunca vai substituir um advogado, é claro que vai. Temos de encarar isto como um desafio, mas também como uma enorme oportunidade”, defende. É por isso que já começam a preparar esta “revolução digital”. “Há quem defenda que os impactos vão ser muito maiores do que na revolução industrial. Quem não esteja a olhar para isso vai perder o momento”, considera.

Sociedades portuguesas são das mais sofisticadas

Quando olha para aquele que é o estado da profissão hoje em dia, Paulo de Barros Baptista considera que o mercado nacional é mais sofisticado cá do que em muitos países, como a Alemanha, a Itália e França. “É essa a vantagem de nos modernizamos mais tarde. As firmas portuguesas só se sofisiticaram nos anos 90, o nosso mercado foi seguindo os exemplos de outros escritórios mais avançados e agora é muito melhor”, destaca.

Quando olha para a altura em que começou e para a profissão agora confessa que a pressão domina os recém-advogados hoje em dia. “No meu tempo não existiam estas preocupações com a média, este stress de arranjar um estágio. A competição hoje é super feroz”, admite. Ainda assim, as ferramentas de que as firmas já dispõem têm permitido que um advogado possa ter muito mais acesso a informação e a conhecimento “do que aquele que eu tinha quando entrei no mercado”.

Fazendo um balanço positivo do que tem sido a sua “escola” — a VdA — Paulo de Barros Baptista tem muito claro quais são as suas metas para o seu futuro: “quero acabar esta batalha jurídica entre a Brisa e credores, seguir com novos projetos e ter tempo para os meus filhos”.

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