Famílias investem mais que o esperado em dívida. Já contribuíram com 400 milhões de euros para o orçamento

A presidente do IGCP - Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública está esta terça-feira no Parlamento para uma audição no âmbito do Plano de Atividades da COFMA.

As famílias estão a investir do que o esperado em certificados. O orçamento do Estado para 2019 antecipava um impacto nulo dos certificados de aforro para o financiamento público, mas até meados de junho já ascende a 400 milhões de euros líquidos.

“A previsão inicial era de um impacto nulo em 2019, mas é de 400 milhões. Tínhamos alguma incerteza quanto à taxa de reinvestimento por isso optámos por uma abordagem conservadora“, afirmou Cristina Casalinho, presidente do IGCP – Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública, no âmbito do Plano de Atividades da Comissão de Orçamento, Finanças e Modernização Administrativa (COFMA).

O conservadorismo prende-se com uma mudança de procedimento ocorrida no ano passado. Os certificados de aforro que atingem as maturidades deixaram de ser automaticamente reembolsados por questões de proteção contra branqueamento de capitais, como explicou Casalinho. Devido à alteração, as projeções do OE 2019 foram feitas com base numa taxa de reinvestimento de 30%.

“Está claramente acima de 50% e, nalguns meses, acima de 70%”, revelou Cristina Casalinho, confirmando a tendência dos últimos meses. Os últimos dados do Banco de Portugal, referentes a abril, indicam que as aplicações em certificados de aforro cresceram ao longo de seis meses consecutivos. O investimento em certificados de aforro e do Tesouro ascendeu, em abril, a 28.687 milhões de euros.

Tesouro ainda espera mil milhões em OTRV este ano

No OE 2019, o Governo previa que as famílias não tivessem qualquer impacto líquido no financiamento público deste ano. O Estado esperava registar uma procura líquida negativa pelos certificados em mil milhões de euros, que seria compensada na mesma medida pelo contributo positivo das Obrigações do Tesouro de Rendimento Variável (OTRV).

Com o novo valor prestado por Cristina Casalinho aos deputados, o impacto é, para já, negativo em 600 milhões de euros pois, apesar da entrada de 400 milhões líquidos, os mil milhões esperados em OTRV ainda não entraram nos cofres do Estado. Cristina Casalinho garantiu que o plano de lançar nova emissão destas obrigações do Tesouro para pequenos aforradores continua em curso.

O contributo das famílias é apenas uma pequena parte das formas de financiamento do Estado, que recorre principalmente a colocações de obrigações do Tesouro. Para um financiamento líquido estimado para este ano em 7.878 milhões de euros, Portugal contava fazer emissões Bilhetes do Tesouro e Obrigações do Tesouro em montantes de 15.215 milhões e 17.486 milhões, respetivamente. A presidente do IGCP afirmou também na COFMA que o programa de financiamento está executado em 65%.

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