Novo imposto na Polónia afunda ações da Jerónimo Martins

Decisão do Tribunal de Justiça da UE permite ao governo polaco avançar com imposição de imposto para as grandes distribuidoras no país em setembro. Ações da Jerónimo Martins sofrem.

A Jerónimo Martins continua a ver novos obstáculos a surgir na sua operação na Polónia, obstáculos que estão a passar uma elevada fatura às ações do grupo português, que estão a recuar quase 3% esta terça-feira, para 14,12 euros por título.

O mercado polaco foi responsável por quase 70% das receitas de 4,2 mil milhões de euros da JM registadas no primeiro trimestre do ano. Além da nova Lei que obriga as grandes superfícies a encerrar em alguns domingos, que abrangerá cada vez mais domingos ao longo dos próximos anos, agora o governo polaco anunciou que vai avançar com um imposto específico sobre as grandes cadeias retalhistas do país já em setembro.

 

Segundo a Bloomberg, e na sequência de uma decisão do Tribunal de Justiça da União Europeia, o governo polaco já tem “luz verde” para aplicar uma nova taxa às receitas geradas pelas maiores empresas de distribuição no país, em mais uma ação legislativa que procura promover o comércio mais local e tradicional da Polónia.

“A Jerónimo Martins desvaloriza com a notícia de que a Polónia vai avançar com impostos sobre o setor do retalho, já a partir de 1 de setembro”, comentou Carla Maia Santos, Sales Team Leader da XTB, a propósito do avanço do imposto. “As ações da Jerónimo Martins até iniciaram a sessão em terreno positivo, mas inverteram imediatamente após esta notícia de que a Polónia quer introduzir um novo imposto no setor do retalho”, frisou Paulo Rosa, trader da GoBulling, citado pela Reuters. Os títulos caem quase 3%, mas chegaram a perder quase 5%.

Ações da Jerónimo Martins afundam em Lisboa

Em causa está um imposto que será aplicado apenas às empresas do setor do retalho com um volume de negócios mensal superior a quatro milhões de euros, devendo a partir de de setembro ser aplicada uma taxa progressiva entre os 0,8% e os 1,4%, dependendo do volume de vendas mensal de cada cadeia. Segundo a agência noticiosa, este imposto deverá render perto de 462 milhões de euros anuais ao governo polaco.

A Jerónimo Martins é dona da maior retalhista da Polónia, a Biedronka, que trouxe 2,9 mil milhões de euros em receitas para o grupo português no primeiro trimestre do ano.

O governo polaco tentou avançar com este imposto em 2016, com a Comissão Europeia a ordenar o país a suspender a aplicação do mesmo por considerar que este poderia ser incompatível com o mercado interno, por apenas visar algumas empresas do retalho. Contudo, e em maio último, o Tribunal de Justiça da UE considerou que apesar de ser um imposto progressivo, tal não implica que exista uma “vantagem seletiva” associada ao mesmo, o que abriu a porta para o governo polaco anunciar já o relançamento do imposto.

Além do imposto, também a entrada da Mercadona em Portugal poderá estar a penalizar as ações do grupo português, lembra Carla Maia Santos. “A concorrência em Portugal também aumenta, no setor do retalho, com a Mercadona a entrar no nosso país e a colocar em causa a rentabilidade das operações já existentes.”

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