SIC encaixa 51 milhões com dívida. Investidores queriam mais de 200 milhões

A estação de televisão realizou um empréstimo obrigacionista para se financiar junto de pequenos investidores. Oferece uma taxa de juro de 4,5% por títulos de dívida com maturidade a três anos.

A SIC captou mais de 10 mil investidores, conseguindo emitir 51 milhões de euros em obrigações, com maturidade de três anos e uma taxa de juro de 4,5%. Mas a estação de televisão poderia ter emitido bastante mais, isto porque a procura atingiu 201,9 milhões de euros (quase quatro vezes acima da oferta).

A SIC já tinha aumentado a oferta de Obrigações SIC 2019-2022, que começou por ter como objetivo a emissão de 30 milhões, devido à forte procura. Cada uma das 1,7 milhões de obrigações custa 30 euros, sendo que o investimento mínimo foi de 50 obrigações, ou seja, 1.500 euros.

“É uma operação relevante porque foi realizada por subscrição pública, atraindo um vasto leque de investidores individuais e contribuindo para a captação de poupança dos portugueses para empresas portuguesas”, disse Isabel Ucha, presidente da Euronext Lisbon.

Entre os 10.426 investidores que subscreveram obrigações SIC 2019-2022 — o maior número de investidores numa emissão de dívida empresarial em Portugal nos últimos seis anos — a grande maioria (8.390) ficou no primeiro patamar, com um investimento até 30 mil euros. Apenas 30 investidores superaram a fasquia dos 50.010 euros.

Como a procura superior a oferta, a atribuição de títulos ficou sujeita a rateio. As obrigações são atribuídas satisfazendo primeiro montantes mínimos e o remanescente de acordo com prioridade temporal. Os títulos vão ser admitidos à negociação na Euronext Lisbon na próxima segunda-feira e vão negociar por chamada.

Encaixe líquido de 48,8 mil milhões vai empurrar reembolso de dívida

Face ao aumento do encaixe financeiro bruto, o montante líquido recebido pela empresa poderá superar os 48,8 milhões de euros (tendo em conta as comissões, despesas obrigatórias e custos associados à operação máximos estimados em 1,85 milhões de euros, bem como 295,5 mil euros em outros custos).

Francisco Pedro Balsemão, CEO do grupo Impresa (dono da SIC), explicou que o encaixe financeiro vai servir para “substituir linhas de curto prazo por médio e longo prazo”, bem como “fazer uma gestão à medida das necessidades de tesouraria”. No entanto, recusou especificar montantes, prazos ou qual o montante da dívida que a empresa terá de reembolsar a curto prazo.

Dois anos depois de a Impresa ter falhado uma emissão de obrigações semelhante devido à fraca procura, Balsemão apontou para a “marca SIC” que “entra na casa das pessoas há 26 anos” como um fator preponderante para a elevada procura. “A aposta no retalho foi a certa. Quem investiu foi a massa. São os nossos espetadores que estão a investir na SIC”, acrescentou o CEO da empresa, que recorreu a estrelas do canal como Cristina Ferreira ou Júlia Pinheiro para publicar as obrigações.

A SIC é a terceira empresa num curto período de tempo a recorrer ao mercado de dívida de retalho para obter financiamento, sendo a segunda a fazer a sua estreia junto de pequenos investidores. O Benfica realizou uma emissão de 40 milhões, enquanto a TAP fechou no mês passado uma operação de financiamento de 50 milhões.

(Notícia atualizada às 17h25)

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