Portugal antecipa pagamento de 2 mil milhões de dívida aos credores europeus da troika

A vontade de pagar antecipadamente a dívida aos credores oficiais europeus já tinha sido avançada pelo ECO. Agora o ministro vem quantificar: serão 2 mil milhões de euros até ao final do verão.

Depois de pagar a a totalidade dos 26,3 mil milhões de euros emprestados pelo FMI, o Governo prepara-se para pagar antecipadamente parte do dinheiro que deve aos restantes credores da troika.

Em entrevista ao ECO, em março, o Secretário de Estado Adjunto e das Finanças já tinha avançado com a possibilidade de o Governo aproveitar a queda dos juros para um mínimo histórico para fazer um novo brilharete e começar a pagar antecipadamente parte do dinheiro que Portugal ainda deve ao Fundo de Resgate e aos parceiros europeus. No total, ainda devemos a estes credores oficiais mais de 50 mil milhões de euros.

Este sábado, em entrevista ao jornal Público, o ministro das Finanças vai mais longe e avança com um valor. O valor do primeiro pagamento estará, revela Mário Centeno, “em torno de 2.000 milhões de euros”. “E depois, no futuro, outros pagamentos do mesmo tipo poderão ser feitos. Isso permitirá, dadas as taxas de juro de Portugal neste momento, poupanças que serão sempre superiores a 100 milhões de euros, o que é muito significativo e crucial na gestão da dívida pública em Portugal”, disse ao Público.

Depois de no final do ano passado o Governo ter reembolsado a totalidade do empréstimo feito pelo FMI no início do programa de resgate financeiro, Portugal ainda tem de pagar mais de 50 mil milhões de euros aos credores oficiais. O país ainda deve 24,3 mil milhões de euros ao Mecanismo Europeu de Estabilidade — o atual Fundo de Resgate Europeu — e outros 27,3 mil milhões de euros ao Fundo Europeu de Estabilização Financeira, um mecanismo de empréstimos bilaterais criado em junho de 2010, em plena crise financeira.

Os juros da dívida pública portuguesa continuam a negociar em mínimos históricos. Na sexta-feira, no mercado secundário, a yield das obrigações a 10 anos valia 0,439%, numa altura em que uma grande parte da dívida pública com maturidade mais curta negoceia com juros negativos.

 

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