Já não se trabalha como antes. “Estamos apenas no início de uma revolução” chamada coworking

As empresas mais jovens foram as primeiras a aderir ao trabalho flexível. Agora, as mais convencionais seguem-lhes os passos. Querem contactar com startups e millennials.

Os espaços de coworking estão a nascer como cogumelos e Portugal não é exceção. O mercado está a crescer a passos largos e Jorge Valdeira, country manager de Portugal do grupo IWG [dono dos espaços Regus e Spaces, entre outros], considera que ainda estamos apenas no início de uma revolução no modo de trabalho. “Não quer dizer que hoje consigamos ver o limite dessa revolução, mas que aquela que está acontecer neste momento ainda tem muito por onde crescer, sem dúvida que tem”, afirma.

“O potencial do trabalho flexível é muito superior ao que acontece neste momento”, continua Jorge Valdeira, em entrevista ao ECO. E não são só as startups que se viram para este tipo de espaços que promovem o trabalho flexível. Também as empresas mais convencionais começam a interessar-se pelo coworking.

“O que vemos são as empresas maiores a quererem optar por soluções de trabalho flexível e de coworking. As empresas mais convencionais sentem que, embora tenham muita gente, acabam por viver um pouco viradas para dentro e querem contactar com outras, sobretudo com startups e millennials”, refere. Por outro lado, estes espaços também permitem às estruturas relativamente jovens “contactarem com empresas mais instaladas e convencionais”.

Para Jorge Valdeira, o “boom” do coworking deu-se com a vulgarização do conceito. “Na altura em que criámos a Regus [em 1989] era algo de nicho. Hoje em dia é mainstream e está em grande crescimento”. A Regus, uma das marcas de coworking do grupo IWG, a par da Spaces ou da No.18, surgiu quando ainda poucos sabiam o que era o coworking.

O escritório dentro do smartphone

“Na altura, este tipo de procura existia, mas era muito mais limitada. Desde o início que o nosso objetivo era dar resposta aos trabalhadores móveis e, hoje em dia, são muitos mais do que na altura. Aliás, hoje em dia, quase toda a gente pode ser um trabalhador móvel. A partir do momento em que o nosso escritório está dentro de um telemóvel, podemos trabalhar em qualquer sítio. A tecnologia fez uma diferença enorme no nosso negócio“, explica.

Por outro lado, Jorge Valdeira conta que também as mentalidades mudaram e ajudaram a expandir estes espaços. “Há 20 anos, o sentimento de posse, a ideia de ter o meu próprio gabinete, era algo muito importante. Hoje em dias, as pessoas estão mais dispostas a partilhar“.

Mas também o próprio ambiente das unidades de coworking acabou por mudar. Se, antes, os espaços tinham “um ambiente muito corporate”, agora são “mais descontraídos”. “Há cinco anos, eu não falaria consigo sem trazer uma gravata, porque não estaria correto, era desadequado”, conta.

Há cinco anos, eu não falaria consigo sem trazer uma gravata, porque não estaria correto, era desadequado.

Jorge Valdeira

Country manager de Portugal da IWG

As mudanças que foram ocorrendo na Regus até agora têm, sobretudo, a ver com acompanhar as tendências dos clientes. “Eles têm de sentir-se bem aqui e nós temos de atuar de acordo com eles”, refere Jorge Valdeira. E a diversidade de clientes é enorme. Num só centro Regus é provável que encontre um empresário de futebol, um escritório de advogados, uma fundação, uma imobiliária ou uma empresa de recrutamento.

“Temos todo o tipo de empresas. A única coisa que não temos aqui são consultórios médicos, porque exigem manipulação de água e nós não temos água nos escritórios. E mesmo assim temos médicos, mas psicólogos”, diz.

Tudo se resume a flexibilidade

Para Jorge Valdeira, deslocar a sua empresa para um centro de coworking resume-se a flexibilidade. “Não têm de se preocupar com nada. Não tem de fazer contratos para a água e para a luz, comprar mobiliário, nem contratar limpeza. Está tudo incluído. É a simplicidade de ser um único serviço“, afirma.

Por outro lado, é fácil aumentar ou diminuir o escritório, consoante as necessidades da empresa. “Juntaria a isto a mobilidade, poder utilizar os nossos centros noutras localizações e poder mudar de centro se assim pretende, o que é muito importante em algumas atividades”.

A flexibilidade também se aplica aos contratos, nos quais o cliente pode comprometer-se pelo período de tempo que lhe for mais conveniente, sem qualquer tempo mínimo. “Até pode ser apenas por um dia”, diz Jorge Valdeira, acrescentando que há, ainda, o sentimento de pertença a uma comunidade.

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