Reestruturação afunda ações do Deutsche Bank. Valor em bolsa já caiu mais de 1,5 mil milhões

As ações do banco deslizaram na bolsa de Frankfurt, estendendo para mais de 1,5 mil milhões de euros a perda acumulada no valor de mercado, em apenas duas sessões.

O Deutsche Bank continua a ser fortemente penalizado em bolsa após o anúncio do plano de reestruturação dado a conhecer pelo banco alemão no passado domingo. O “estrago” já vai em cerca de 9,5% em duas sessões de perdas para as ações. Essa quebra representa um “rombo” superior a 1,5 mil milhões de euros. Os principais títulos do setor financeiro europeu também registaram perdas acentuadas, apesar de mais curtas.

Nesta terça-feira, as ações do Deutsche Bank desvalorizaram 4,17%, para os 6,50 euros, tendo chegado a tocar os 6,40 euros durante a sessão. A quebra seguiu-se a uma perda superior aos 5,39% registados na segunda-feira, a primeira sessão após a divulgação dos detalhes do plano de restruturação.

Assim, nas últimas duas sessões, houve uma perda acumulada de 9,5%. Já o valor de mercado encolheu 1.588 milhões de euros nesse período, para uma capitalização bolsista atual de 14.837 mil milhões de euros.

É desta forma que o mercado reage ao plano de 7,4 mil milhões de euros para a reestruturação do maior banco da Alemanha que, entre outras medidas de peso, inclui um corte de 18 mil trabalhadores, equivalentes a 20% do total, nos próximos três anos. Além de fechar com unidade de mercados acionistas, o Deutsche Bank também vai acabar com a operação de negociação de obrigações.

Ações do Deutsche Bank em derrapagem

Por outro lado, o plano também prevê a criação de uma espécie de “banco mau”, uma unidade para onde serão transferidos os ativos problemáticos e não estratégicos no valor de 74 mil milhões de euros.

Em conferência de imprensa, que decorreu na segunda-feira, Christian Sewing, CEO do banco alemão, mostrou confiança de que após essa reestruturação de grandes dimensões resultará um banco mais pequeno mas mais estável.

Os investidores não parecem no entanto denotar tanta confiança quanta a do CEO do Deutsche Bank, castigando as ações do banco. Entre as reticências despertadas junto dos analistas é como a instituição será capaz de gerar lucros com vista a atingir os objetivos traçados para 2022, o terceiro e último ano do plano de reestruturação do Deutsche bank.

Para já sabe-se que os custos deste plano já pesam nos resultados deste ano do banco, que já fez saber que se prepara para anunciar a 24 de julho prejuízos de 3,14 mil milhões de euros no final do segundo trimestre.

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