BlackRock: “Muitos investidores em dívida portuguesa não se arrependeram”

Gestora de ativos reforçou posição na dívida europeia para fugir aos riscos da guerra comercial e das tensões geopolíticas. Apesar de as yields estarem menos atrativas, vê segurança nas obrigações.

Com o aumento da incerteza global, a que a Europa não está imune, a BlackRock está a apostar mais na dívida soberana europeia. Apesar de os juros oferecidos por estes ativos serem cada vez menos atrativos, a segurança que trazem compensa. Portugal está no grupo dos países vistos como estáveis pela maior gestora de ativos do mundo.

“Portugal tem surpreendido muito pela positiva e o decréscimo nas yields portuguesas foi muito mais acentuado do que poderíamos pensar. Muitos investidores em dívida portuguesa não se arrependeram“, afirmou André Themudo, responsável pelo negócio da BlackRock em Portugal e pelo segmento wealth para a Península Ibérica, esta segunda-feira, na apresentação do outlook de investimento global em Lisboa.

A pouco mais de dois meses das eleições legislativas que vão eleger o novo Governo português, Themudo explicou que “para a BlackRock, do ponto de vista do investidor, o mais importante é a estabilidade de um Governo e uma transição estável pode ser positiva para Portugal“.

A dívida pública portuguesa tem atraído grandes investidores desde que voltou a ter rating de qualidade pelas principais agências internacionais de notação financeira. A sequência de revisões em alta começou no final de 2017 e, desde então, o país tem beneficiado de menores custos de financiamento em mercado, mas foi há poucas semanas que os juros caíram a pique para níveis nunca vistos.

"Portugal tem surpreendido muito pela positiva e o decréscimo nas yields portuguesas foi muito mais acentuado do que poderíamos pensar. Muitos investidores em dívida portuguesa não se arrependeram.”

André Themudo

BlackRock

A yield das obrigações a 10 anos tocou o mínimo histórico de 0,28%, negociando atualmente em 0,47%. Os títulos com maturidades até seis anos negoceiam com juro negativo, sendo que a dívida a sete anos também ultrapassou temporariamente esta barreira. A quebra aconteceu a par de outros países europeus devido à expectativa de política monetária mais expansionista do Banco Central Europeu (BCE).

Yields inferiores a 1% não são atrativas, mas é importante para equilibrar risco nas carteiras”, referiu Themudo, clarificando que a gestora de ativos tem presença em dívida portuguesa, tal como espanhola e italiana (país que vê, no entanto, como fonte de volatilidade na Europa devido ao conflito com Bruxelas). São apostas táticas que funcionam para contrabalançar a segurança das Bunds alemãs“, diz.

Dívida dos EUA e ações do Japão entre preteridos

A BlackRock reviu em alta o posicionamento em relação à dívida soberana europeia, para overweight em julho, de neutral em janeiro. Passou igualmente para neutral (de underweight) em relação a ações europeias. Em ambos os casos, a mudança aconteceu por esperar que o BCE corresponda ou supere a expectativa do mercado de estímulos monetários para responder ao aumento das incertezas com guerra comercial e tensões geopolíticas.

Estamos moderadamente positivos, mas consideramos que é preciso reduzir o risco em carteira através do aumento de posições em dívida soberana — apesar de estar cara — e posições em cash“, revelou o responsável pelo negócio em Portugal da financeira, que gere 6,8 biliões de dólares em ativos e lucrou mais de mil milhões no segundo trimestre do ano.

Em sentido contrário, a gestora de ativos reduziu a posição na dívida pública norte-americana por considerar que a expectativa do mercado sobre a Reserva Federal norte-americana é “excessiva”. Enquanto o mercado antecipa um corte na taxa de juro de referência dos EUA na próxima semana, a BlackRock vê essa descida (único este ano) apenas em setembro.

O mesmo sentimento mais negativo aplica-se aos ativos asiáticos. “Dividimos os mercados emergentes em três grandes regiões: Ásia, América do Sul e Europa de Leste. Pela primeira vez em, pelo menos, cinco anos, a Ásia deixou de ser a região emergente em que estamos mais positivos. Estamos positivos na Américo do Sul (como México e Brasil), mas achamos que a economia japonesa vai ser fortemente impactada pela desaceleração na economia chinesa”, acrescentou.

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