Ministro das Infraestruturas admite separar a ferrovia da rodovia

  • ECO e Lusa
  • 24 Julho 2019

Ministro das Infraestruturas admite querer separar a Refer e as Estradas de Portugal, caso volte a ocupar a mesma pasta. Defende que está na altura de avaliar os resultados da fusão entre as empresas.

O ministro das Infraestruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos, pretende separar a ferrovia da rodovia. O objetivo é acabar com a empresa Infraestruturas de Portugal (IP) que surgiu da fusão de ambas as empresas, a Refer com a Estradas de Portugal, segundo avançou esta quarta-feira o Público (acesso condicionado).

Pedro Nuno Santo veio entretanto admitir que “está na altura de avaliar” os resultados da fusão das empresas e o impacto que terá na ferrovia. Em declarações aos jornalistas em Matosinhos, nas oficinas da EMEF onde vão ser reparadas composições da CP, Pedro Nuno Santos recusou ter “uma posição definitiva” ou uma “decisão tomada” para reverter a fusão e separar a ferrovia da rodovia. Explicou que está em causa “uma ideia para se trabalhar”, com “calma e sem qualquer divergência interna”.

Em declarações à Lusa, o governante recusou a existência de qualquer divergência entre a sua posição e a do primeiro-ministro, como sugere a Comissão de Trabalhadores da Infraestruturas de Portugal (IP), entidade que, em 2015, passou a agregar a Refer e a Estradas de Portugal.

Em comunicado, citado pelo Público, a Comissão dos Trabalhadores da IP refere que “ficámos a saber que existe a ideia de que a fusão foi um erro e que as realidades rodoviárias e ferroviárias são totalmente distintas, tendo ainda o senhor ministro referido que, caso o seu atual mandato tenha continuidade após as eleições de outubro, irá trabalhar no sentido de separar de novo as duas empresas que, após a fusão, deram origem à IP”, refere

Foi no ano de 2015 que foi criada a Infraestruturas de Portugal, sob alçada do anterior Governo. A junção da Refer com a Estradas de Portugal não estava prevista no Governo de Passos Coelho e não foi uma imposição da troika. A criação da Infraestruturas de Portugal foi sempre contra a vontade dos trabalhados ferroviários que lamentavam que a Refer acabou por ser “absorvida” pela Estradas de Portugal.

Segundo avança o jornal, o ministro das Infraestruturas poderá avançar com esta medida de duas formas. A primeira será a criação de uma holding IP direcionada às Infraestruturas de Portugal e outra dedicada às infraestruturas rodoviárias (IP Ferrovia e IP Rodovia). Outra possibilidade é a criação de uma holding CP que acomode uma CP Serviços destinada ao transporte de passageiros e uma CP Infraestrutura. Desta forma, a parte rodoviária ficaria numa empresa própria. Mas, de acordo com várias declarações públicas, Pedro Nuno Santos parece estar mais direcionado para esta segunda possibilidade, nomeadamente já afirmou que “a CP ainda há-de voltar a ser uma grande empresa”.

(Notícia atualizada às 13h12)

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