Compensa trocar de emprego? Quem mudou teve salto salarial de 8,5%. Quem não o fez, de 2,9%

Os portugueses que mudaram de posto de trabalho entre outubro de 2018 e abril de 2019 viram as suas remunerações avançar 8,5%. Os rendimentos dos que ficaram no mesmo emprego subiram apenas 2,9%.

Os trabalhadores que mudaram de posto de trabalho entre outubro do último ano e abril de 2019 registaram um aumento salarial de 8,5%, salto bem superior ao contabilizado por aqueles que ficaram no mesmo emprego (2,9%), mas ainda assim inferior àquele que tinha sido notado pelos trabalhadores que trocaram de trabalho entre 2017 e 2018 (9,4%). Estes dados constam do relatório do Gabinete de Estratégia e Planeamento (GEP) do Ministério do Trabalho sobre os 45 anos do salário mínimo nacional, que indica ainda que foram os trabalhadores que não só mudaram de emprego como de setor que mais viram os seus salários aumentar.

Entre outubro de 2018 e abril de 2019, os salários dos mais de 2,4 milhões de trabalhadores que se mantiveram empregados cresceu 3,2% em termos nominais. Excluindo os trabalhadores que recebem o salário mínimo nacional (que está fixado nos 600 euros mensais), o aumento foi de 3,5%, o que sugere, diz o relatório, “um dinamismo salarial transversal aos diferentes escalões de remuneração”.

“Acresce que, no caso dos trabalhadores que mudaram de posto de trabalho entre 2017 e 2018, o aumento salarial foi de aproximadamente 9,4%, sendo que no caso dos trabalhadores que mudaram de posto de trabalho entre outubro de 2018 e abril de 2019 esse aumento foi de 8,5%“, indica no relatório. Esse valor compara com a subida de 2,9% registado nos salários dos trabalhadores que se mantiveram no mesmo posto de trabalho.

No que diz respeito aos trabalhadores que mudaram de setor de atividade, o GEP salienta que há casos em que o salto ultrapassa os 10%. Foi o que aconteceu aos 852 trabalhadores que mudaram do setor agrícola (agricultura, produção animal, caça, floresta e pesca) para o dos serviços, que viram as suas remunerações subir quase 11%. Os 928 trabalhadores que fizeram a mudança inversa (dos serviços para a agricultura) também registaram uma subida acima da média: 10,5%.

Os 12.699 trabalhadores que mudaram dos serviços para o setor da indústria, construção, energia e água viram igualmente os seus salários engordar consideravelmente: 11,4%. Esse valor compara com o aumento salarial de 8,9% registado pelos 89.971 trabalhadores que mudaram de emprego, mas continuaram nos serviços; E com a subida salarial de 6,2% registada pelos 12.833 trabalhadores que trocaram de posto de trabalho mas continuaram no setor da indústria.

No ano passado, a remuneração média para os trabalhadores que tinham mudado de postos de trabalho estava nos 878,2 euros, valor que subiu para 952,7 euros, este ano. No caso dos trabalhadores que permaneceram no mesmo posto de trabalho, o salto foi menos significativo (apenas 2,9%), mas em ambos os anos a remuneração média é mais elevada (1.001,4 euros, em 2018, e 1.030,7 euros, em 2019).

O relatório sublinha ainda que, no universo dos trabalhadores que se mantiveram no mesmo emprego, houve aumentos salariais em todos os escalões remuneratórios, com especial destaque para os patamares mais baixos. Quem ganhava, entre outubro passado e abril, 557 euros a 599,99 euros, viu a sua remuneração crescer 5%; Já os rendimentos entre 600 euros e 899,99 euros subiram 3,3%; Entre 900 euros e 1.199,99 euros aumentaram 2,7%; Entre 1.200 euros e 1.799,99 euros, 2,2%; Entre 1.800 euros e 2.499,99 euros, 1,8%; E as remunerações superiores a 2.500 euros subiram 1,5%.

Já em novembro do ano passado, o 10º Relatório de Acompanhamento do Acordo sobre a Retribuição Mínima Mensal indicava que mudar de trabalho parece compensar em termos salariais. De abril de 2017 a abril de 2018, esse trabalhadores tinham visto as suas remunerações aumentar 8,6%, valor que compara com a subida salarial de 3,8% registada, em termos homólogos, pelos que ficaram no mesmo posto de trabalho.

O relatório que foi apresentado esta semana dedica ainda um capítulo às transições em torno do salário mínimo nacional. Cerca de 80% dos trabalhadores que estavam a receber o salário mínimo em outubro de 2018 (então fixado em 580 euros) continuaram a receber a remuneração mínima garantida com o aumento de 2019 para 600 euros, sendo que 15,6% passaram para o escalão remuneratório imediatamente a seguir (600 euros a 650 euros) e 3,1% passaram para o patamar acima dos 650 euros.

“Houve em abril de 2019, uma maior proporção de trabalhadores que transitaram do escalão de remuneração equivalente ao SMN para o escalão de remuneração imediatamente acima (7,2% entre abril de 2016 e abril de 2017 e 8,1% entre abril de 2017 e abril de 2018)”, remata o GEP.

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