Governo garantiu ao FMI moderação nos salários da Função Pública

Para o FMI, a "pressão" com a fatura dos salários no Estado está a aumentar, "apesar do compromisso" do Executivo para "reduzir o emprego público".

“Moderação na fatura com salários da Função Pública.” Esta é a garantia que o Governo deixou ao Fundo Monetário Internacional para assegurar o cumprimento das metas definidas no Programa de Estabilidade, que aponta para um défice de 0,2% este ano e um excedente de 0,3% em 2020. Desde junho que o primeiro-ministro vem prometendo aumentar os funcionários públicos se vencer as legislativas de outubro. Não tem dito que tipo de aumento, mas ao FMI revelou que será moderado.

Em entrevista ao Expresso, a 15 de junho, o chefe do Executivo prometeu mais funcionários públicos e a ganhar mais. António Costa disse que vê margem para voltar “à normalidade de haver atualização anual dos vencimentos” na Função Pública, ao mesmo tempo que admite abrir concursos para contratar mais funcionários públicos para fazer face à degradação dos serviços públicos.

A ideia voltou a ser reiterada na entrevista, esta semana, à revista Visão. António Costa voltou a dar pistas sobre eventuais aumentos na Função Pública, visando nesse âmbito os trabalhadores com salários mais altos, nomeadamente no setor da Saúde. “O Estado tem de olhar para as condições remuneratórias dos seus quadros superiores de outra forma, no futuro”, disse, acrescentando que após o aumento dos níveis salariais mais baixos, no que respeita aos quadros intermédios e superiores, “o Estado vai ter de rever a sua política remuneratória, senão será incapaz de conseguir contratar e reter os quadros mais qualificados”.

Estas declarações foram todas feitas posteriormente à visita dos técnicos do Fundo a Portugal que decorreu em maio, na sequência da qual divulgaram um comunicado de imprensa onde traçava as linhas gerais da sua avaliação e atualizava as previsões para Portugal. Este semana, o executive board do FMI aprovou o relatório completo para Portugal, que é conhecido esta quinta-feira.

O Executivo, nas conversas que manteve com os técnicos do Fundo, explicou que o excedente de 0,3% do PIB dará “uma almofada para os choques temporários e manter a dívida numa firme trajetória descendente”. Para o Governo chegará aos 115,2% em 2020, mas para o Fundo ficará em 116% do PIB. “Isto será conseguido pela continuação de ganhos de eficiência decorrentes da revisão de despesa, descida dos juros da dívida e moderação da fatura com salários da Função Pública”, diz o Executivo.

Isto será conseguido pela continuação de ganhos de eficiência decorrentes da revisão de despesa, descida dos juros da dívida e moderação da fatura com salários da Função Pública.

Governo português

Na avaliação do FMI a “pressão” com a fatura dos salários no Estado também está a aumentar. “Apesar do compromisso para reduzir o emprego público no Orçamento de 2018, cresceu mais de 2%, refletindo parcialmente as necessidades crescentes da passagem para as 35 horas”, escreve o FMI no seu Artigo IV.

Quanto vale uma notícia? Contribua para o jornalismo económico independente

Quanto vale uma notícia para si? E várias? O ECO foi citado em meios internacionais como o New York Times e a Reuters por causa da notícia da suspensão de António Mexia e João Manso Neto na EDP, mas também foi o ECO a revelar a demissão de Mário Centeno e o acordo entre o Governo e os privados na TAP. E foi no ECO que leu, em primeira mão, a proposta de plano de recuperação económica de António Costa Silva.

O jornalismo faz-se, em primeiro lugar, de notícias. Isso exige investimento de capital dos acionistas, investimento comercial dos anunciantes, mas também de si, caro leitor. A sua contribuição individual é relevante.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Governo garantiu ao FMI moderação nos salários da Função Pública

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião