Sabia que… Quantas mulheres há em cargos de liderança em Portugal?

Apesar das progressivas melhorias, tanto Portugal como Espanha ficam abaixo da média da União Europeia. Barreiras empresariais, culturais e pessoais ainda vedam o caminho à gestão de topo no feminino.

Mulheres e homens representam cerca de metade da população portuguesa. Desde 1986 que há mais mulheres a entrarem nas faculdades do que homens, mas na progressão da carreira há um momento em que os percursos se invertem. Apesar de trazer vantagens, a liderança empresarial ainda não é igualmente partilhada entre géneros.

A percentagem de mulheres nos conselhos de diretores das empresas portuguesas é, em média, de 22%, de acordo com o estudo Achieving gender balance in leadership da consultora McKinsey, que analisa dados referentes a 2018.

As progressivas melhorias, tanto em Portugal como em Espanha (com 24%) não evitam que os dois países fiquem abaixo da média da União Europeia, que se situa nos 27%. Em cada 100 diretores, 30 são mulheres no Reino Unido, enquanto na Alemanha são 34 e em França 44.

No caso das comissões executivas, o caso é ainda mais gritante. Portugal não só tem apenas 10% de mulheres como não melhorou em relação a 2017. A média europeia é aqui de 17%, percentagem que também não é alcançada por Espanha, Alemanha (ambos com 14%) e que iguala a da França. No Reino Unido são 19%.

Mas se há praticamente o mesmo número de pessoas de cada um dos géneros e até há mais mulheres a chegarem às universidades, então onde é que o elo se quebra? O problema chega logo na primeira progressão na carreira. O mesmo estudo indica que a percentagem de mulheres ao nível de entrada no mercado de trabalho é de 58%, contra 48% de homens, exatamente igual à percentagem de mulheres e homens a entrar na faculdade.

Ao nível de gestão intermédia, já são 62% homens e 38% mulheres. A partir daí a diferença vai aumentando progressivamente e é acompanhada de uma disparidade salarial correspondente. No nível de CEO, o fosso aprofunda para 94% contra apenas 6%.

As barreiras identificadas pela Mickensey estão em três níveis: empresariais, culturais e pessoais pelo que ainda há um longo caminho a percorrer até à igualdade na liderança, que a consultora diz trazer vantagens.

“As empresas no quartil de topo no que diz respeito a diversidade de género nas equipas de gestão têm 21% mais probabilidades de terem um desempenho acima da média do setor do país”, revela. Acrescenta que, a nível global “acabar com a disparidade entre géneros poderia gerar 12 biliões de dólares adicionais ao produto interno bruto até 2025”.

Há, para isso, “quatro medidas [que] serão cruciais para avançar”: assegurar empenho na gestão de topo, combater os pontos de rutura no percurso, melhorar os estilos de vida tanto de homens como de mulheres em cargos de liderança e promover o ativismo e cooperação empresarial.

Há um ano e meio entrou em vigor em Portugal o regime da representação equilibrada entre mulheres e homens em cargos de topo, que se aplica a empresas públicas e cotadas em bolsa.

Como o diploma pretende ser gradual, o limite mínimo do género sub-representado nos órgãos de administração e de fiscalização situa-se, para já, em 20%, mas irá subir até aos 33,3% no próximo ano. Entre as cotadas do PSI-20, quase todas cumprem, mas apenas duas estão preparadas para o novo patamar: a Sonae Capital e a Corticeira Amorim.

Quanto custa carregar a bateria do seu telemóvel? Quantas árvores são precisas para fazer uma resma de papel? Quanto custa fazer uma prancha de surf? Quantos casamentos se fazem em agosto? De segunda a sexta-feira, até ao final de agosto, o ECO dá-lhe a resposta a um “Sabia que…”.

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