Ainda há combustível na bomba? Veja no site #JáNãoDáParaAbastecer

Um grupo de voluntários relançou a plataforma #JáNãoDáParaAbastecer, que diz se ainda há combustíveis numa determinada bomba durante a greve dos motoristas. Conheça novidades face à versão anterior.

A greve dos motoristas, com início previsto para 12 de agosto, ameaça deixar na reserva os depósitos de milhões de portugueses. Um grupo de voluntários propõe-se, por isso, a minorar o impacto desta paralisação com recurso a informação partilhada. Está no ar a plataforma #JáNãoDáParaAbastecer, um site não oficial que permite ver qual a bomba mais próxima na qual ainda pode abastecer.

Na área “consultar”, o site conta com um mapa que agrega informação submetida pelos próprios utilizadores acerca de cada uma das 2.913 gasolineiras do país. Isso permite a qualquer pessoa verificar, de forma rápida e intuitiva, se um determinado posto ainda tem gasóleo, gasolina ou GPL. Além disso, a plataforma identifica que bombas fazem parte da rede prioritária e em que estado é que se encontram as reservas de cada gasolineira. Mas os próprios utilizadores podem também submeter informação para a plataforma, na área “ajudar”.

Esta é mais uma iniciativa do grupo VOST Portugal – Voluntários Digitais Em Situações de Emergências para Portugal, estrutura que conta com mais de uma centena de cidadãos voluntários que, diariamente, partilha nas redes sociais informações relevantes da atualidade, como a ocorrência de fogos ou de acidentes. Na última greve, de abril, que deixou o país a conta-gotas, o grupo desenvolveu em poucas horas a primeira versão da plataforma. Desta vez, dispôs de mais tempo para realizar melhorias importantes.

Informação mais segura e parceria com Waze

A primeira experiência em abril permitiu aos responsáveis da VOST Portugal perceber o que tinha de ser melhorado nesta nova versão. “A versão anterior foi uma coisa montada em duas horas e nem percebíamos a dimensão daquilo que estávamos a criar. Tirámos uma série de lições da primeira ativação que foram integradas nesta versão 2.0”, comenta Jorge Gomes, cofundador do grupo, em conversa com o ECO. Uma delas foi o suporte aos acessos via telemóvel, pelo que o novo site está totalmente adaptado aos ecrãs dos smartphones.

Mas a principal questão, sobretudo num projeto com estas características, prende-se com a fiabilidade da informação apresentada. Não há garantia de que os dados apresentados são 100% corretos, mas Jorge Gomes garante que o grupo está a implementar uma série de filtros que se espera que resultem numa melhoria da qualidade da informação.

“Criámos uma série de mecanismos para a validação da informação que nos chega”, refere o cofundador da VOST Portugal. Um exemplo: só após 15 informações independentes no mesmo sentido é que uma bomba é colocada como “indisponível”, além de que foi feito um pedido de colaboração à ENSE (Entidade Nacional para o Mercados dos Combustíveis) e às grandes distribuidoras para que forneçam automaticamente a informação oficial através de um novo sistema informático. Contudo, esse pedido, segundo Jorge Gomes, ainda não teve qualquer resposta.

Além destas novidades, a VOST Portugal garante que a plataforma #JáNãoDáParaAbastecer será a principal fornecedora de informação sobre postos de combustível para a aplicação Waze, um serviço de mapas e GPS detido pela Google, que também recorre a informação fornecida pelo público e que é usado por milhões de pessoas em todo o mundo. “Vamos colaborar estreitamente com a Waze, pelo que a informação da Waze e do Google Maps vai vir diretamente” da plataforma, refere o cofundador.

A VOST só nos custa dinheiro. Mas é uma maneira de intervir na sociedade com espírito proativo. Em vez de nos queixarmos de que as coisas não avançam ou não existem, nós fazemo-las e usamos a tecnologia.

Jorge Gomes

Cofundador da VOST Portugal

VOST procura voluntários e quer ser associação

De acordo com Jorge Gomes, a VOST Portugal tem atualmente 110 voluntários espalhados pelo país. Mas, apesar do número, e de estar baseada na internet, a organização não quer ser apenas um grupo de pessoas escondidas atrás de um ecrã. “Ainda hoje, um voluntário em Tábua vai correr a zona para confirmar que algumas bombas existem mesmo. Há muito trabalho feito no terreno”, afirma.

O grupo está também focado em crescer e convida os portugueses que se queiram juntar a enviarem uma mensagem para a conta da VOST Portugal numa das principais redes sociais (Twitter, Facebook ou Instagram). “É só contactarem-nos. Neste momento, estamos a precisar de pessoas para sistemas de informação geográfica”, remata.

O objetivo é, em breve, tornarem-se uma associação sem fins lucrativos: “Posso dizer que estamos a pouco tempo de nos formalizarmos como uma associação, porque sentimos a necessidade, visto que há uma abertura fantástica da parte da ANEPC [Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil] para começarmos a trabalhar muito ativamente”, avança Jorge Gomes. E deixa o desafio: “A VOST só nos custa dinheiro. Mas é uma maneira de intervir na sociedade com espírito proativo. Em vez de nos queixarmos de que as coisas não avançam ou não existem, nós fazemo-las e usamos a tecnologia.”

Na última greve, a plataforma dos combustíveis criada pela VOST teve em torno de 1,7 milhões de acessos únicos e chegou a contar com 10.000 acessos em tempo real. Em relação à nova versão, Jorge Gomes garante que espera ter “zero acessos”. Seria um sinal de que os motoristas e os patrões tinham finalmente chegado a um acordo. Ainda assim, “a plataforma está pronta para receber o mesmo número de acessos que da outra vez”, conclui.

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