Dia 2: Greve por “dez anos” e a tropa ao volante

Os stocks estão a recuperar numa altura em que é comum ver militares a conduzirem camiões-cisterna cheios de combustível. Do lado dos sindicatos, nenhum sinal de quererem dar o braço a torcer.

Ao segundo dia de greve, o cenário é de recuperação generalizada nos stocks de combustível e de críticas à requisição civil vindas da ala política mais à esquerda. As negociações entre patrões e sindicatos mantêm-se em suspenso, numa altura em que 14 trabalhadores já foram identificados por não respeitarem a requisição civil decretada pelo Governo.

Nota ainda para a Antram, que avançou com um alerta que foi contrariado pelo Executivo, enquanto, do lado dos trabalhadores, não surgem sinais de que estejam disponíveis para dar o braço a torcer. Conheça o ponto de situação da paralisação nesta segunda edição do Diário da Greve.

Notícia do dia 📰

Governo contraria Antram acerca do abastecimento a hospitais

Os sindicatos têm tentado colar o Governo à Antram, mas a associação que representa os patrões viu-se contrariada pelo Executivo esta terça-feira. Depois de a Antram ter alertado que os abastecimentos aos hospitais das zonas de Lisboa, Leiria e Coimbra poderiam ser “seriamente comprometidos” pela greve “nas próximas 24 horas”, o Ministério da Saúde veio rejeitar essa ideia.

Numa resposta à Lusa, o gabinete da ministra Marta Temido foi perentório: “O Ministério da Saúde não tem conhecimento, até ao momento, de constrangimentos no fornecimento de quaisquer bens essenciais, designadamente gases medicinais, aos hospitais ou centros de saúde, estando todas as unidades a funcionar normalmente.”

Frase do dia 💬

“Os trabalhadores estão em greve, estão a trabalhar e estão a receber. A greve pode durar dez anos.”

Os camionistas prometem cumprir os serviços mínimos, mas recusam trabalhar mais do que as oito horas previstas. Ao início da manhã desta terça-feira, o representante dos motoristas que transportam matérias perigosas, Pedro Pardal Henriques, lembrou que, apesar de estarem em greve, os motoristas “estão a trabalhar e estão a receber”.

Por isso, nestas condições, “a greve pode durar dez anos”, ironizou. A greve dos motoristas começou esta segunda-feira e deverá continuar por tempo indeterminado.

Imagem do dia 📷

Militares substituem camionistas para garantirem o cumprimento dos serviços mínimos.ANTÓNIO COTRIM/LUSA

Com a requisição civil, o Governo publicou também uma portaria que determina que as forças armadas entrem em ação para minimizar o impacto da greve. Logo pelas 20h00, saíram os primeiros camiões da refinaria de Sines, conduzidos por militares da GNR. Uma imagem que se tornou mais comum esta terça-feira: camiões-cisterna cheios de combustível… e com a tropa ao volante.

Ponto de situação nas bombas ⛽

Ao final do dia, os dados não oficiais recolhidos pela plataforma #JáNãoDáParaAbastecer apontavam para uma recuperação do stock de combustível disponível nos postos de abastecimento face ao primeiro dia da greve, sobretudo no que toca às bombas da Rede de Emergência de Postos de Abastecimento (REPA).

Por volta das 19h00, num universo de 2.955 postos de abastecimento, 794 não tinham gasóleo (vs. 810 na segunda-feira) e 550 não tinham gasolina (vs. 589 na segunda-feira). No que toca à REPA, 68 de 331 postos disponíveis aos cidadãos não tinham gasóleo e 41 não tinham gasolina. Na REPA apenas disponível para os meios de socorro e veículos equiparados (como as carrinhas de valores), 7 em 55 não tinham gasolina e 10 não tinham gasóleo.

Ponto de situação nas negociações 🤝

Até onde se sabe, não houve qualquer avanço significativo nas negociações entre sindicatos e patrões. O dia ficou marcado pelas críticas à requisição civil do Governo, com Catarina Martins, líder do BE, a afirmar que a decisão do Executivo foi “um erro”. Antes, CGTP e Fectrans também já tinham assumido posições semelhantes.

Ao final do dia, numa conferência de imprensa, o ministro do Ambiente e da Transição Energética, João Pedro Matos Fernandes, veio fazer o ponto de situação sobre a aplicação da requisição civil: disse que, apesar de estar a ser cumprida genericamente pelos camionistas, houve 14 trabalhadores que não a cumpriram. Destes, 11 já foram notificados e três encontram-se por localizar. O ministro também disse que, genericamente, esta terça-feira, os serviços mínimos foram cumpridos.

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