Dia 1: Trotinetas, carros elétricos e uma requisição civil

O primeiro dia das negociações ficou marcado pela requisição civil do Governo, sem avanços notórios nas negociações entre motoristas e Antram. Consulte o nosso Diário da Greve.

O primeiro dia da greve dos motoristas não ficou só marcado pelas filas para abastecer. Entre trotinetas e carros elétricos, também foi notícia o recuo de Pedro Pardal Henriques e a requisição civil interposta pelo Governo. O ECO faz o ponto de situação da paralisação nesta primeira edição do Diário da Greve.

Notícia do dia 📰

Governo aprova requisição civil na greve dos motoristas

Nem 24 horas tinham passado desde o início da greve e já o Governo considerava avançar com a requisição civil para tentar garantir o cumprimento dos serviços mínimos. Isso veio a acontecer já ao final da tarde, com a aprovação deste mecanismo para salvaguardar o abastecimento do aeroporto de Lisboa, as saídas de combustível a partir de Sines, a rede de postos de emergência e as unidades de distribuição de gás natural liquefeito.

A requisição civil foi aprovada num contexto em que os motoristas recusavam que os serviços mínimos não estivessem a ser cumpridos: “A informação que temos é que os serviços mínimos estão a ser cumpridos. A requisição civil não irá violar certamente o direito destas pessoas de cumprirem as oito horas de trabalho”, disse Pedro Pardal Henriques, representante dos trabalhadores.

Frase do dia 💬

“O representante do sindicato tem de sair da mesa de negociações para que seja possível conversar com alguém.”

A frase é de André Matias de Almeida, porta-voz da Antram, a associação que está a negociar do lado dos patrões. Representa uma exigência clara para que o controverso advogado Pedro Pardal Henriques, que tem sido o rosto dos motoristas, deixe de liderar as negociações do lado do sindicato dos motoristas que transportam matérias perigosas.

Imagem do dia 📷

Pedro Pardal Henriques decidiu “poupar combustível” e apostou num novo meio de transporte para se deslocar a Aveiras de Cima. Em pleno início da greve, que começou à meia-noite, o advogado chegou junto do piquete de greve montado numa trotineta elétrica: “Vim de trotineta porque, da outra vez, fui criticado por chegar de Maserati”, disse aos jornalistas. Horas depois, António Costa seria notícia por chegar ao briefing da Proteção Civil num carro elétrico.

Ponto de situação nas bombas ⛽

Perto das 19h00, a plataforma não oficial #JáNãoDáParaAbastecer reportava 589 postos de abastecimento sem gasolina e 810 bombas sem gasóleo, de um total de 2.955. No que toca à Rede de Emergência de Postos de Abastecimento (REPA), 72 de 331 postos disponíveis aos cidadãos não tinham gasóleo e 47 não tinham gasolina. Na REPA apenas disponível para os meios de socorro e veículos equiparados (como as carrinhas de valores), 10 em 55 não tinham gasolina e 13 não tinham gasóleo.

No plano das infraestruturas, a ANA queixou-se de que os níveis de combustível no aeroporto de Lisboa não estão como deveriam estar e revelou que a greve já está a ter impacto no abastecimento de aeronaves. Em Sines, a Antram garantiu que os serviços mínimos “foram incumpridos a 100%”, o que mais tarde foi reiterado pelo Governo, que salientou que, durante a tarde, não saiu nenhum camião da refinaria.

Ponto de situação nas negociações 🤝

Pouco ou nada se avançou nas negociações neste primeiro dia, pelo menos publicamente. A atualidade ficou marcada pelas trocas de acusações entre Antram e sindicatos, que garantiam que as empresas estavam a subornar motoristas para que não participassem na greve. O incumprimento de serviços mínimos também marcou o dia, culminando na requisição civil.

Com o pedido da Antram para que Pardal Henriques seja afastado da mesa das negociações, as posições parecem ter-se extremado. E até o Presidente da República reagiu, apelando a que patrões e trabalhadores procurem “soluções justas que não sacrifiquem de modo desproporcionado os portugueses”. A greve, essa, continua.

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