Tomás Correia chama Carlos Tavares para avaliar 18 meses de mandato no Banco Montepio

Com o Montepio no meio de uma nova mudança de governação, Tomás Correia, presidente da Associação Mutualista, convocou Carlos Tavares para uma reunião inédita para avaliar 18 meses de mandato.

Com o Banco Montepio no meio de uma nova mudança no seu modelo de governação, Tomás Correia, presidente da Associação Mutualista Montepio Geral (AMMG) e principal acionista do banco, chamou Carlos Tavares para uma reunião inédita a ter lugar na próxima semana para fazer uma avaliação dos 18 meses de mandato e perspetivas futuras do banco.

Oficialmente não há comentários do banco nem da mutualista, mas o ECO Insider — a newsletter exclusiva para assinantes publicada à sexta-feira — revelou que a reunião, que esteve inclusivamente agendada para esta sexta-feira, mas foi adiada, foi convocada pelo conselho de administração da mutualista, a dona do banco. No encontro, e segundo uma fonte, Tomás Correia deverá sinalizar eventuais desvios à carta de missão que foi confiada a Carlos Tavares quando tomou posse em março do ano passado. Este encontro, note-se, é paralelo às reuniões semestrais de prestação de contas da administração do Banco Montepio ao Conselho Geral da Associação Mutualista, órgão onde têm assento as diversas sensibilidades da associação.

O encontro surge num momento de alta tensão no seio do banco e acontece após a saída de um dos administrador, Luís Guimarães, que acumulava a função de presidente da comissão de auditoria e da comissão de risco do banco, ainda que o Banco de Portugal tenha tentado convencer o responsável a manter-se no cargo. O jornal Público relatou esta sexta-feira que Luís Guimarães, na comunicação ao supervisor bancário sobre o pedido de demissão no início do mês passado, elencou um conjunto de aspetos relacionados com a gestão, nomeadamente o fator instabilidade da governação, alegando ainda a falta de condições para exercer a função de forma independente.

Ao ECO, o banco e o próprio Luís Guimarães limitam-se a dizer que “a decisão é pessoal e as razões são unicamente do próprio, que sai a bem com a instituição”. Internamente, Carlos Tavares tentou descansar os trabalhadores em relação à saída de Luís Guimarães, procurando assegurar a normalidade dentro do banco: “O Banco Montepio fará a transição de forma natural, de acordo com os procedimentos normais previstos para este tipo de situações”, disse Carlos Tavares numa nota distribuída esta sexta-feira na rede interna e a que o ECO teve acesso.

Pelo meio, há outras duas questões pendentes. Uma é a presidência executiva do banco: Dulce Mota exerce funções de CEO interinamente há vários meses, sendo, formalmente, vice-presidente do banco, enquanto Carlos Tavares é o chairman. E o ECO sabe que neste momento decorre uma avaliação de competências, pedida por Carlos Tavares à consultora Mercer, para uma decisão sobre o futuro CEO do banco.

Depois há a questão dos resultados que ainda estão por divulgar. O semestre terminou a 30 de junho e, passados mais de dois meses, ainda não conhecem a luz do dia. O Banco Montepio registou lucros de 6,5 milhões de euros no primeiro trimestre, mas a evolução do segundo trimestre terá sido negativa. Há questões por fechar com o novo auditor, a PwC. A venda da carteira de malparado, que deu um prejuízo de seis milhões, é uma delas. Outra terá a ver com o fundo de pensões: o auditor quer que o banco reduza a taxa de desconto do fundo de pensões, que está atualmente nos 2,25%. No BCP, por exemplo, a taxa de desconto do fundo de pensões foi recentemente cortada de 2,1% para 1,6% em consequência da descida das taxas de juro.

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