Compra de aviões põe importações a crescer seis vezes mais que as exportações em julho

Compra de aviões explica mais de metade do aumento homólogo das importações. No conjunto dos sete meses do ano, importações sobem três vez mais que exportações.

A compra de aviões ao exterior deu um contributo importante para as importações que, em julho, aumentaram 7,9%, seis vezes mais do que as exportações que subiram apenas 1,3%. O défice da balança comercial de bens agravou-se em 452 milhões de euros, revelou o Instituto Nacional de Estatística (INE) esta segunda-feira.

“Em julho de 2019, as exportações e as importações de bens registaram variações homólogas nominais de 1,3% e 7,9%, respetivamente (-8,3% e -3,7% em junho de 2019, pela mesma ordem). Destaca-se o acréscimo de 27,9% nas importações de material de transporte, sobretudo outro material de transporte (maioritariamente aviões), com um contributo de 4,2 pontos percentuais para a taxa de variação homóloga total“.

Isto significa que mais de metade do aumento das importações (53%) resultou da compra de aviões ao exterior. O INE não detalha que compras são estas, mas a TAP tem prevista a chegada de 30 aviões este ano, através de contratos de locação operacional. As importações têm sido influenciadas por esta decisão da TAP, mas esta operação não tem impacto no PIB por se tratar de uma locação operacional.

No conjunto dos sete meses, as importações estão a crescer três vezes mais do que as exportações, revelam números do INE. Entre janeiro e junho, Portugal comprou bens num valor superior em 8,6% face ao mesmo período do ano anterior, enquanto as vendas subiram 2,7%.

Quando comparado com o mês anterior, as exportações revelam números mais favoráveis, mas que resultam do facto de julho ter tido mais cinco dias úteis do que junho. “As exportações aumentaram 13,4% (-15,3% em junho de 2019) e as importações cresceram 7,2% (-8,2% em junho de 2019)”, diz o INE, referindo-se à taxa de variação das compras e vendas em julho face a junho.

“As variações registadas em ambos os fluxos são resultado tanto do comércio Intra-União Europeia (UE) como do Extra-UE, podendo estar em parte relacionadas com o facto de julho de 2019 ter mais cinco dias úteis que junho de 2019.”

As exportações têm sido afetadas pelo abrandamento económico a nível mundial muito condicionado pelas tensões comerciais entre os EUA e a China. No conjunto do primeiro semestre, o défice externo (que inclui as balanças de bens, de serviços mas também de capital) deteriorou-se em 55% face ao mesmo período do ano anterior.

O défice da balança de bens sofreu assim um agravamento de 452 milhões de euros e situa-se agora em 1.751 milhões de euros no mês em análise.

O INE destaca a intensificação de trocas comerciais em julho com França. “Em julho de 2019, tendo em conta os principais países de destino e os principais fornecedores em 2018, destaca-se o acréscimo nas transações com França. As exportações para França aumentaram 10,8% e as importações provenientes deste país cresceram 67,0%. Salientam-se os aumentos de material de transporte em ambos os fluxos, mais especificamente automóveis para transporte de passageiros nas exportações e outro material de transporte (maioritariamente aviões) nas importações.”

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