Impresa está “atenta” a negócio entre Cofina e Media Capital e aguarda detalhes para se pronunciar

  • Lusa
  • 12 Setembro 2019

Se o negócio entre a Cofina e a Media Capital avançar, o grupo Impresa irá avaliar a operação "de vários prismas, entre os quais no domínio concorrencial e regulatório", de acordo com o CEO do grupo.

O presidente executivo da Impresa, Francisco Pedro Balsemão, disse à Lusa estar atento ao negócio da compra da Media Capital pela Cofina, mas quer conhecer mais detalhes para se pronunciar em termos concorrenciais e regulatórios.

“Estamos atentos a quaisquer alterações neste setor da comunicação social e esta é uma operação que foi anunciada recentemente, mas ainda não há nada de concreto e enquanto não houver não vamos poder comentar. Precisamos saber mais detalhes, de ter mais informação seja em que sentido for”, disse o CEO da Impresa, acrescentando que em tempo oportuno o irá fazer.

Para já, o responsável do grupo – que detém a SIC, o Expresso, a revista Caras, entre outros meios – diz que a preocupação é manterem-se focados na empresa e que é isso que têm feito.

“No último ano acabámos por fazer um excelente trabalho […] e quando esta operação [negócio Cofina/Media Capital] se concretizar – tudo indica que sim -, deveremos pronunciar-nos e avaliaremos isto de vários prismas, entre os quais no domínio concorrencial e regulatório”, afirmou ainda Francisco Pedro Balsemão à Lusa.

No dia 14 de agosto, a Cofina confirmou que estava a negociar com a Prisa a compra da Media Capital, dona da TVI, e um dia depois coube à empresa espanhola confirmar que estava em negociações em regime de exclusividade com a dona do Correio da Manhã sobre uma eventual venda da dona da TVI.

Em 16 de agosto, a Cofina adiantou estar a negociar com a Prisa a aquisição da Vertix, que detém 94,69% da Media Capital, admitindo lançar uma Oferta Pública de Aquisição (OPA) sobre a dona da TVI.

No mesmo dia, o Sindicato dos Jornalistas (SJ) manifestou-se “preocupado” com o impacto de uma eventual compra da Media Capital pela Cofina, “nomeadamente no que respeita à concentração dos media” e à manutenção dos postos de trabalho.

“A excessiva concentração dos media tem repercussões ao nível da pluralidade e qualidade da informação e, nesse sentido, o SJ considera que a Entidade Reguladora para a Comunicação Social tem de se pronunciar rapidamente sobre o negócio em curso”, refere o sindicato, em comunicado.

A Cofina detém o Correio da Manhã, a CM TV, Sábado, Record, Jornal de Negócios, entre outros. Por sua vez, a Media Capital detém os canais TVI, a rádio Comercial, entre outros meios. Atualmente ainda decorrem negociações em regime de exclusividade entre a Media Capital e a Cofina.

A venda da Media Capital à Altice falhou em junho de 2018. Nessa altura, a Impresa considerou que a não concretização da compra pela Altice do grupo Media Capital era “o único desfecho possível” do processo, por ter sido o que “melhor protege o mercado”.

Em 18 de junho de 2018, em declarações à agência Lusa sobre a notícia de que a Prisa tinha desistido da venda da Media Capital à Altice, fonte oficial da Impresa realçou que desde que tinha sido anunciada a operação, o grupo sempre tinha alertado “para os riscos que a mesma poderia acarretar para a concorrência e para o pluralismo no setor dos media”, pelo que “sempre acreditou que este seria o único desfecho possível”.

Uma carta aos nossos leitores

Vivemos tempos indescritíveis, sem paralelo, e isso é, em si mesmo, uma expressão do que se exige hoje aos jornalistas que têm um papel essencial a informar os leitores. Se os médicos são a primeira frente de batalha, os que recebem aqueles que são contaminados por este vírus, os jornalistas, o jornalismo é o outro lado, o que tem de contribuir para que menos pessoas precisem desses médicos. É esse um dos papéis que nos é exigido, sem quarentenas, mas à distância, com o mesmo rigor de sempre.

Aqui, no ECO, estamos a trabalhar 24 horas vezes 24 horas para garantir que os nossos leitores têm acesso a informação credível, rigorosa, tempestiva, útil à decisão. Para garantir que os milhares de novos leitores que, nas duas últimas semanas, visitaram o ECO escolham por cá ficar. Estamos em regime de teletrabalho, claro, mas com muita comunicação, talvez mais do que nunca nestes pouco mais de três anos de história.

  • Acompanhamos a cobertura da atualidade, porque tudo é economia.
  • Escrevemos Reportagens e Especiais sobre os planos económicos e as consequências desta crise para empresas e trabalhadores.
  • Abrimos um consultório de perguntas e respostas sobre as mudanças na lei, em parceria com escritórios de advogados. Contamos histórias sobre as empresas que estão a mudar de negócio para ajudar o país
  • Escrutinamos o que o Governo está a fazer, exigimos respostas, saímos da cadeira (onde quer que ele esteja) ou usamos os ecrãs das plataformas que nos permitem questionar à distância.

O que queremos fazer? O que dissemos que faríamos no nosso manifesto editorial

  • O ECO é um jornal económico online para os empresários e gestores, para investidores, para os trabalhadores que defendem as empresas como centros de criação de riqueza, para os estudantes que estão a chegar ao mercado de trabalho, para os novos líderes.

No momento em que uma pandemia se transforma numa crise económica sem precedentes, provavelmente desde a segunda guerra mundial, a função do ECO e dos seus jornalistas é ainda mais crítica. E num mundo de redes sociais e de cadeias de mensagens falsas – não são fake news, porque não são news --, a responsabilidade dos jornalistas é imensa. Não a recusaremos.

No entanto, o jornalismo não é imune à crise económica em que, na verdade, o setor já estava. A comunicação social já vive há anos afetada por várias crises – pela mudança de hábitos de consumo, pela transformação digital, também por erros próprios que importa não esconder. Agora, somar-se-ão outros fatores de pressão que põem em causa a capacidade do jornalismo de fazer o seu papel. Os leitores parecem ter redescoberto que as notícias existem nos jornais, as redes sociais são outra coisa, têm outra função, não (nos) substituem. Mas os meios vão conseguir estar à altura dessa redescoberta?

É por isso que precisamos de si, caro leitor. Que nos visite. Que partilhe as nossas notícias, que comente, que sugira, que critique quando for caso disso. O ECO tem (ainda) um modelo de acesso livre, não gratuito porque o jornalismo custa dinheiro, investimento, e alguém o paga. No nosso caso, são desde logo os acionistas que, desde o primeiro dia, acreditaram no projeto que lhes foi apresentado. E acreditaram e acreditam na função do jornalismo independente. E os parceiros anunciantes que também acreditam no ECO, na sua credibilidade. As equipas do ECO, a editorial, a comercial, os novos negócios, a de desenvolvimento digital e multimédia estão a fazer a sua parte. Mas vamos precisar também de si, caro leitor, para garantir que o ECO é económica e financeiramente sustentável e independente, condições para continuar a fazer jornalismo de qualidade.

Em breve, passaremos ao modelo ‘freemium’, isto é, com notícias de acesso livre e outras exclusivas para assinantes. Comprometemo-nos a partilhar, logo que possível, os termos e as condições desta evolução, da carta de compromisso que lhe vamos apresentar. Esta é uma carta de apresentação, o convite para ser assinante do ECO vai seguir nas próximas semanas. Precisamos de si.

António Costa

Publisher do ECO

Comentários ({{ total }})

Impresa está “atenta” a negócio entre Cofina e Media Capital e aguarda detalhes para se pronunciar

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião