Rio ataca “recente máxima das contas certas do PS”. Costa diz que PSD sobe impostos desde Barroso

A 20 dias das legislativas, os líderes dos dois maiores partidos debateram em direto e nas três televisões em simultâneo.

Menos ideológico, mais centrado nas políticas públicas. O debate entre os líderes dos maiores partidos portugueses às legislativas de 6 de outubro arrancou com Rui Rio a atacar as contas certas do Governo, referindo-se à principal bandeira eleitoral do PS como uma espécie de última moda entre os socialistas. Costa não se ficou e lembrou que o histórico do PSD é a transformar anúncios de choques fiscais em subidas de impostos.

O arranque coube ao presidente do PSD que tentou explicar que as contas certas do Governo resultam de ajudas extra — o BCE, os dividendos do Banco de Portugal, subida de carga fiscal e a conjuntura — e não de reformas estruturais. Rui Rio falou mesmo da “recente máxima das contas certas”, como este fosse um autocolante que não colasse no PS.

Costa defendeu que Portugal tem crescido mais que a Zona Euro e que essa é a melhor prova de que a estratégia do Governo está certa e recordou que os resultados obtidos nesta legislatura — com o défice mais baixo da democracia e a criação de emprego — falam por si.

"O PSD propõe um choque fiscal que, como sabemos desde o tempo de Durão Barroso, acaba sempre num enorme aumento de impostos.”

António Costa

Primeiro-ministro

Mas além dos resultados, o líder do PS também se socorreu da caderneta de autocolantes. E se ao PS não cola o das contas certas, ao PSD cola o do aumento de impostos — principalmente depois de prometer o contrário em campanha.

“O PSD propõe um choque fiscal que, como sabemos desde o tempo de Durão Barroso, acaba sempre num enorme aumento de impostos”, disse António Costa, lembrando dois momentos recentes da história da política económica do país. Em 2002, o então primeiro-ministro Durão Barroso aumentou o IVA assim que chegou ao Governo. Em 2013, foi pela mão do Governo de Passos Coelho que Portugal se confrontou com o “enorme aumento de impostos” de Vítor Gaspar.

Rio tenta desfazer as contas certas do PS, enquanto Costa tenta descredibilizar a promessa de descida de impostos de Rui Rio avaliada em 3,7 mil milhões de euros e que contempla alívio no IRS, IRC e IVA da eletricidade entre outros.

Mas se nem um nem outro acreditam na bandeira principal do seu opositor, as estratégias de recuo também parecem ser diferentes — pelo menos aos olhos de Rui Rio. Perante um cenário de abrandamento da economia internacional, o líder do PSD diz que o PS “ajusta aumentando impostos ou cortando na despesa” enquanto o programa eleitoral dos sociais-democratas prevê uma redução de impostos mais lenta e uma subida do investimento público mais faseada.

De resto, o debate foi uma repetição de uma série de argumentos que ambos têm apresentado. Embora como Rui Rio não é deputado o confronto entre ambos quase nunca é direto.

Rio falou da falta de investimento público, Costa lembrou que olhando apenas para o investimento financiado pelo Orçamento do Estado (deixando de fora o que resulta de fundos comunitários) o que foi feito nesta legislatura foi maior do que na anterior.

Na saúde continuaram as divisões, com Rio a falar na falta de aposta no setor e Costa a dizer que há mais 1.600 milhões de euros em despesa e que a limitação que o PSD aplica aos consumos intermédios acabará por afetar o Serviço Nacional de Saúde — uma constatação que Rio rejeitou.

Também a carga fiscal voltou a separar os dois lados. Rio diz que Costa baixou 1.000 milhões em IRS, mas “aumentou 1,2 mil milhões em indiretos”. O primeiro-ministro insistiu na ideia de que a carga fiscal cresce por causa do aumento do emprego e dos rendimentos (mais salários e salários mais altos geram mais IRS e mais contribuições para a Segurança Social).

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