Trump usa escalada do petróleo para pressionar Fed. Pede corte nos juros e “estímulos” à economia

Na véspera da reunião de política monetária do banco central, presidente dos EUA volta a intervir. Além da moeda e da inflação, Trump vê agora o petróleo como mais uma razão para a Fed cortar juros.

A crise petrolífera é mais uma razão para o presidente dos EUA criticar o banco central do país. Donald Trump usou novamente o Twitter para atacar a Reserva Federal (Fed) norte-americana, pedindo um corte nos juros de referência e estímulos à economia, na véspera do início de uma reunião de dois dias em que estas medidas poderão ser decididas.

“Os preços da produção na China diminuíram o máximo em três anos devido à grande desvalorização da sua moeda, associada a estímulos monetários. A Reserva Federal não está a ver? Irá a Fed alguma vez entrar no jogo? O dólar está mais forte que nunca! É muito mau para as exportações”, começou por escrever Trump, no Twitter.

O presidente dos EUA critica a Fed, dizendo que os EUA “pagam juros muito mais elevados que outros países concorrentes”. E acrescenta: “Não fazem ideia da sorte que [esses países] têm por Jay Powell e a Fed não terem noção”.

Não é a primeira vez que Trump faz este tipo de comentário sobre o presidente da Fed, Jerome Powell. O líder da administração norte-americana tem usado frequentemente o Twitter para pedir cortes nos juros do banco central e chegou mesmo a chamar “incompetente” à instituição.

Desta vez, juntou a crise petrolífera que se gerou este fim de semana — com um ataque de drones a duas refinarias da Saudi Aramco que está a comprometer metade da produção de petróleo da Arábia Saudita — à lista de razões pelas quais considera que a Fed deverá agir. E agora, em cima de tudo isto, o golpe no petróleo. Grande corte na taxa de juro, estímulos!”, acrescentou Trump.

Esse corte poderá ser anunciado esta quarta-feira, depois da reunião de política monetária que começa amanhã. No último encontro, no final de julho, a Fed reduziu a taxa de juro em 25 pontos base, no primeiro corte desde a crise financeira, devido ao baixo investimento, inflação e incertezas.

A expectativa do mercado é que Powell anuncie nova descida de outros 25 pontos base para um intervalo entre 1,75% e 2%. Apesar da robustez do crescimento económico nos EUA — que vive o ciclo mais longo de sempre –, o banco central poderá querer antecipar-se ao uma inversão devido aos riscos internacionais, o agravamento das tensões comerciais entre EUA e China e o risco crescente de um hard Brexit.

“Confrontado com uma economia ainda robusta e crescentes preocupações geopolíticas, provavelmente o presidente da Fed, Jerome Powell, deverá querer evitar correr riscos, preferindo manter a política monetária acomodatícia ao reduzir os juros de curto prazo”, referiu Franck Dixmier, global head of fixed income da Allianz Global Investors, numa nota de research.

“Parece-nos que isso vai ao encontro das expectativas do mercado e antecipamos que as taxas de longo prazo se mantenham firmemente ancoradas nos atuais baixos níveis”, acrescentou.

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