Como o BE, PCP e CDS viram o frente a frente de Costa e Rio

No debate entre Costa e Rio, faltaram soluções para as questões laborais, diz Catarina Martins. Jerónimo de Sousa acha que o frente a frente mostrou convergência do PS e PSD. E Cristas não comenta.

A pouco menos de três semanas da ida às urnas, o socialista António Costa defrontou o social-democrata Rui Rio num debate que esteve centrado nas contas públicas e que pouca atenção, diz o Bloco de Esquerda, deu às matérias laborais, apesar do mercado nacional continuar marcado pela precariedade. O PCP acrescenta que o frente a frente mostrou que naquilo que “nos fez andar para trás” PSD e PS sempre convergiram. E à direita, Assunção Cristas confessa que não viu o confronto, recusando comentar.

“Num debate que teve o dobro do tempo dos outros, não foi apresentada uma única solução para nenhuma questão do trabalho“, criticou, esta terça-feira, Catarina Martins. Em declarações aos jornalistas, a bloquista aproveitou a ausência das questões laborais no frente a frente de Costa e Rio para deixar claro que tal só prova que “será sempre à esquerda” que se farão essas discussões sobre o combate à precariedade e sobre o respeito de quem trabalha.

Na mesma linha, Jerónimo de Sousa salientou que as leis do trabalho são “zona de conforto que juntam o PS e PSD” devido à sua natureza de classe, daí que não ter havido um confronto de ideias sobre este assunto. De notar que a revisão do Código do Trabalho recentemente aprovada — e que entrará em vigor já no próximo mêsrecebeu o voto favorável apenas do PS, tendo sido viabilizada pela abstenção do PSD e do CDS-PP. Esta matéria acabou por ser uma das mais fraturantes entre o Governo e os seus parceiros políticos, uma vez que a grande maioria das propostas do BE e do PCP apresentadas nesse âmbito acabou por ser chumbada pela direita com ajuda exatamente dos socialistas.

Durante as votações parlamentares, várias foram as vezes em que os deputados comunistas e bloquistas atacaram a posição dos colegas socialistas, acusando-os de se encostarem à direita para manterem a herança da Troika na legislação laboral e de perderem uma oportunidade histórica para mudaram a lei a favor dos trabalhadores. Uma das questões que mereceu o apoio do PS, PSD e CDS-PP e o repúdio do PCP e BE foi o alargamento do período experimental para trabalhadores à procura do primeiro emprego e desempregados de longa duração, cuja aprovação levou a esquerda a anunciar que irá pedir a fiscalização sucessiva da revisão da Lei Laboral ao Tribunal Constitucional.

Esta terça-feira e em reação ao debate entre Costa e Rio, Jerónimo de Sousa aproveitou ainda para sublinhar PS e PSD tendem a estar acertados nas questões que “nos fazem andar para trás” e salientou que Portugal não tem um problema de carga fiscal, mas de justiça fiscal. “O que é preciso é maior justiça fiscal, fazendo pagar mais quem mais tem e mais pode”, disse o líder comunista, criticando (ainda que não diretamente) as propostas do PS para a redução dos impostos não só das famílias, mas também das empresas.

Além disso, Jerónimo de Sousa salientou que, “em relação a questões estruturantes”, Portugal tem o “empecilho” de ter de estar “sempre certinho” com Bruxelas, sendo mesmo algumas vezes “mais papista que o Papa”. O comunista criticou, assim, a atitude assumida pelo Executivo de António Costa (e em particular por Mário Centeno) em relação à meta do défice, o que terá levado, por exemplo, à degradação dos serviços públicos, diz o PCP.

À direita, Assunção Cristas admitiu não ter visto o debate que colocou frente a frente os líderes dos dois maiores partidos nacionais, desculpando-se com o trabalho “intenso” de campanha. “Não seria educado e elegante da minha parte estar a comentar uma coisa que ainda não tive oportunidade de ver na íntegra, mas queria dizer que, da parte do CDS-PP, o posicionamento é muito claro. Nós estamos aqui para mostrar que temos uma visão alternativa para o país”, rematou a líder centrista, em declarações aos jornalistas à margem de uma visita à empresa Panidor.

O debate entre António Costa e Rui Rio ficou marcado pelos ataques deste último à “máxima das contas certas” que tem sido usada pelo PS. O atual primeiro-ministro contra-atacou, lembrando que o PSD tem histórico de transformar anúncios de choques fiscais em subidas de impostos.

Rui Rio aproveitou ainda para frisar a falta de investimento público levada a cabo pelo Executivo que agora termina e Costa ripostou com a comparação do investimento realizado nos últimos quatro anos com aquele que tinha sido feito pelo Governo anterior. Exemplo desse confronto foi a questão da saúde, com Rio a denunciar falta de aposta no setor e Costa a referir que há mais 1.600 milhões de euros em despesa.

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