Governo lança linha de crédito de 100 milhões para empresas familiares

Linha Sucessão Empresarial e Incremento de Escala vai disponibilizar 100 milhões de euros, com juros bonificados, a empresas familiares. Objetivo é financiar processos de sucessão e de aquisição.

As empresas familiares em Portugal vão poder contar com uma nova linha de crédito para as ajudar a ganhar escala e aumentar a competitividade, apurou o ECO. Em causa estão 100 milhões de euros.

Corticeira Amorim, Grupo José de Mello, Impresa, Hovione, Nutrinveste, Gelpeixe, Têxtil Manuel Gonçalves são apenas alguns exemplos de empresas familiares em Portugal que demonstram que nem todas as organizações deste tipo são pequenas. No seu conjunto representam quase 80% do tecido empresarial português, 65% do PIB nacional e 50% do emprego, de acordo com dados da Associação das Empresas Familiares.

Apesar de serem inúmeros os exemplos de sucesso e de resiliência entre as empresas familiares, também existem desafios e problemas, há muito identificados. Por exemplo, se a experiência e o conhecimento do negócio, os valores sólidos e a cultura de grupo, além de uma perspetiva de longo prazo, são pontos que jogam a favor das empresas familiares; perturbações ao nível da sucessão, uma estrutura organizacional fraca ou competências menos profissionais podem ser fatais para o futuro destas empresas.

Assim, o Executivo está a operacionalizar, através do IAPMEI, uma linha de crédito de 100 milhões de euros para as empresas familiares — Linha Sucessão Empresarial e Incremento de Escala. À semelhança de outros instrumentos de apoio, as empresas vão poder recorrer a este financiamento com taxas de juro bonificado, ou seja, mais baixo do que aquilo que é praticado no mercado. Mas o nível de risco das diferentes empresas é sempre tido em conta.

O objetivo é aumentar “a competitividade e a produtividade empresarial através de processos de concentração e de aumento de escala das empresas, favorecendo a sua inserção e o posicionamento competitivo no mercado global”, explicou ao ECO, fonte oficial do Ministério da Economia. “Facilitar o financiamento de processos de sucessão e de aquisição de empresas tendo em vista o desenvolvimento de negócios, a obtenção de ganhos de escala”, são outras das metas que ajudam a definir as operações elegíveis para serem financiadas através desta linha.
Há muito que as empresas familiares têm sinalizado o peso da carga fiscal como uma das principais preocupações, mas para já não haverá medidas direcionadas para esta questão. Um pacote mais completo, que inclua medidas como benefícios fiscais, exige uma aprovação pela Assembleia da República e a proximidade das eleições legislativas já não o permite. O aumento da carga fiscal, em 2018, atingiu um novo recorde ao passar de 34,4% para 35,4%, sendo que o aumento foi sensivelmente ao mesmo nível nos impostos diretos, indiretos e contribuições para a Segurança Social. Todos a crescer acima de 6%.
De acordo com um estudo estudo da Universidade do Minho, de 2018, o ambiente económico e financeiro e a redução das vendas e do lucro são outras das preocupações. O mesmo relatório revela que a maioria destas empresas apresenta falhas ao nível da ligação aos centros de I&D e do marketing, e não valoriza a atração e fixação de trabalhadores mais qualificados. Uma das fragilidades que se aponta a este tipo de organizações é precisamente o facto de colaboradores mais qualificados não olharem para as empresas familiares como uma opção porque têm menos perspetivas de progressão na carreira.
A robustez financeira é outro dos pontos que não são valorizados, de acordo com o mesmo estudo, que inquiriu 1.148 empresas, representativas de uma base de dados com 41.496 empresas familiares — um número que fica muito aquém da realidade, segundo os autores do relatório. A sucessão ou a profissionalização da gestão também são aspetos negligenciados por estas empresas.
O fundador da Jerónimo Martins, em entrevista ao ECO24, em setembro de 2017, lembrou que “não há relatório nenhum feito sobre empresas privadas que não demonstre que são as empresas familiares que fazem crescer o país. São elas que criam emprego, que pagam mais impostos”, comentou o empresário, recentemente falecido.

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Governo lança linha de crédito de 100 milhões para empresas familiares

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião