Rui Rio sobre passes sociais: “Não revogo, mas melhoro”

Rui Rio mantém críticas à forma como foi posto em prática passe social único, mas diz que mantém medida, se formar Governo. "O PS andou com a carruagem à frente da locomotiva", atira.

António Costa aproveitou o último frente-a-frente com Rui Rio desta corrida legislativa para perguntar ao líder social-democrata se o seu partido, formando Governo, manterá ou não em vigor o passe social único, que tantas críticas despertou na ala social-democrata e mereceu mesmo o voto desfavorável da bancada parlamentar laranja. E Rio respondeu: “Não revogo, mas melhoro”. “A medida é boa e, sendo boa, não vou anular a medida, vamos mantê-la. Agora vamos fazer bem”, reforçou.

“A questão essencial é saber se Rui Rio, que foi o campeão na crítica ao passe social único, se for Governo, mantêm-no ou não em vigor”, atirou o líder socialista e primeiro-ministro em funções, considerando essa medida um dos contributos mais significativos para o reforço dos rendimentos das famílias.

“Não revogo, mas melhoro”, respondeu o líder social-democrata, considerando que os passes sociais são uma “boa medida por razões de ordem social e ambiental”, mas deixando (mais uma vez) críticas à forma como esta ferramenta foi posta no terreno. “O PS não andou com o carro à frente dos bois, andou com a carruagem à frente da locomotiva”, brincou.

Rui Rio salientou que o desenho do passe social único foi feito “em cima do joelho”, porque “havia eleições europeias” (a 26 de maio) e “era preciso andar depressa para surtir efeito [nessa ida às urnas] e depois, se possível, nas legislativas”. E acrescentou: “Já tem os operadores a berrar por falta de pagamentos, porque as coisas não foram cuidadas, foram feitas rapidamente para surtir o efeito”.

Além disso, Rio fez questão de sublinhar que esta medida — que reduziu para 30 euros o custo do passe mensal municipal e para 40 euros o passe metropolitano — sofre de alguma desigualdade regional, tendo favorecido as regiões de Lisboa e do Porto, mas “a partir daí foi uma barafunda completa”. De resto, foram essas assimetrias regionais que levaram a bancada do PSD a votar contra a medida, considerou o líder social-democrata.

A terceira crítica lançada por Rio foi à escassez de oferta, lembrando que a medida levou ao aumento da procura dos transportes públicos, mas não cuidou de aumentar na mesma proporção a oferta, o que resultou na “degradação do serviço”. De notar que, face a esse “desequilíbrio”, o Metro tanto em Lisboa como no Porto decidiu mesmo retirar bancos de algumas carruagens, para permitir o transporte de mais passageiros. “Foi uma boa medida, mas foi feita de forma desajeitada. Não é que eles não saibam fazer melhor, sabem. Havia era eleições a 26 de maio“.

António Costa justificou a ação do seu Executivo, referindo que a medida foi posta em prática de forma descentralizada — daí a diferença dos passes em vigor nas várias regiões — e foram lançados concursos para os vários tipos de transporte, ainda que os timings não se tenham alinhado com o aumento da procura.

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