É “quase anedótico” Centeno “ensinar-me o rigor financeiro”, diz Rui Rio

A farpa lançada por Centeno aos partidos que "querem vestir o fato" do PS foi entendida por Rio como sinal de "desconhecimento da política". Ensinar rigor nas contas ao PSD? "É quase anedótico", diz.

No primeiro dia de campanha eleitoral na rua, Mário Centeno fez questão de lançar farpas à direita, acusando esses partidos de quererem “vestir o fato” do PS, mas apresentando “contas que não batem certo com as palavras”. Em reação, o líder do PSD considera que tal atitude dos socialistas revela “algum desespero” face à evolução da corrida à Assembleia da República e atira: É “quase anedótico” Mário Centeno “explicar-me a mim o que é o rigor financeiro”.

Em declarações, esta quarta-feira, à TSF, Rui Rio disse que entendeu que a crítica lançada por Mário Centeno não como uma farpa a Joaquim Sarmentoo “Mário Centeno” do PSD, como o apelidou o próprio líder do partido laranjamas a si mesmo. “Não é atirar uma farpa a Joaquim Sarmento, mas a mim próprio e isso revela um completo desconhecimento da política em Portugal”, sublinhou o político, esta manhã.

Rio salientou que, face ao passado recente do país e ao papel do anterior Governo do PS (liderado, então, por José Sócrates) na crise, Mário Centeno, enquanto socialista, “nem sabe bem o que está a dizer” e assume uma atitude “quase anedótica”.

“Ensinar-me a mim o que é o rigor financeiro? E ele faz isso a partir de um partido que esteve num Governo que levou o país à bancarrota. Isso revela de parte do PS algum desespero pela forma como a campanha está a evoluir”, disse.

Na terça-feira, o ministro das Finanças ainda em funções tinha deixado farpas aos partidos da direita, dizendo: “Querem vestir o nosso fato. Como se com o nosso fato todos parecessem homenzinhos. Não sabem sequer vestir esse fato“. Mário Centeno rematou com uma crítica: “As contas não batem certo com as palavras. Ou não sabem fazer as contas ou não falam a verdade”.

Milagres na saúde? “Não sou a Nossa Senhora de Fátima”

Questionado sobre as suas propostas para melhorar o sistema de saúde nacional, Rui Rio frisou que o PSD tem, no seu programa eleitoral, prevista a aplicação de 25% da margem orçamental no investimento público. “Não sou a Nossa Senhora de Fátima, não vou fazer nenhum milagre. Aquilo que eu tenho dito é que a margem orçamental decorrente do crescimento económico foi de 13 mil milhões nos últimos 4 ano. Nós projetamos que será de 15 mil milhões. E a esses 15 mil milhões tenho de dar um destino, um quarto é para o investimento público“, explicou.

Já sobre a avaliação dos funcionários públicos, Rio defendeu a revisão, mas a continuação das quotas para as avaliações mais elevadas, já que, caso contrário, todos os trabalhadores do Estado teriam “bom e excecional” e isso seria “a mesma coisa que não haver avaliação”.

“A criação do SIADAP é algo que eu entendo como positivo. O sistema anterior era arcaico e toda a gente tinha muito bom, e isto também não pode ser assim“, lembrou, referindo que é preciso agora ajustar o sistema em vigor para incentivar os melhores funcionários.

Já sobre o seu caminho político, caso não consiga o lugar de chefe do Executivo, Rui Rio não quis adiantar se ficará ou não como deputado, reforçando que para ser líder da oposição não é preciso ter um lugar marcado no Parlamento. “Vamos ver o que acontece no dia 6 de outubro”, concluiu.

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