João Duque: Tanto PS como PSD estão “a contar com a ajuda” do BCE, juros negativos e exportações

  • ECO
  • 3 Outubro 2019

O economista e presidente da SEDES considera que os cenários macroeconómicos apresentados pelos dois maiores partidos estão dependentes de fatores favoráveis.

O PS e o PSD não estão acautelar o impacto que a desaceleração económica global poderá ter em Portugal, alerta o economista e presidente da Associação para o Desenvolvimento Económico e Social (SEDES), João Duque. Em entrevista ao Público (acesso condicionado) e à Renascença (acesso livre), antecipa que a próxima legislatura seja de instabilidade.

“Os modelos do PSD e PS preveem que, havendo algum arrefecimento da economia, isso não é catastrófico. Estão muito a contar com a ajuda, para já, do Banco Central Europeu (BCE) e das taxas de juros negativas e também com a expansão dos orçamentos das economias para onde exportamos“, afirmou João Duque.

O economista considera que os cenários macroeconómicos apresentados pelos dois maiores partidos dependem da continuação da política expansionista do BCE, que tem permitido baixar os juros das dívidas dos países da Zona Euro. Por outro lado, que as exportações — um dos principais contributos para o crescimento económico do país — irá manter-se inalterado mesmo que os países para onde Portugal exporta sofram igualmente com a desaceleração.

A três dias das eleições legislativas, Duque lamenta que estes temas não sejam abordados pelos candidatos. “Pensam assim ‘não vale a pena estar a assustar as pessoas’ e dizer-lhes ‘se houver necessidade de cortar, eu vou fazer não sei o quê’. Não vale a pena falar nisso”, disse.

“Quero crer que os programas futuros possam ser melhores. As últimas eleições foram aquelas onde senti discutir-se pela primeira vez um quadro macroeconómico. Foi — e muito bem — o PS que trouxe para cima da mesa um quadro com projeção e simulação do crescimento económico com base numa política orçamental. Agora, o PSD, estando na oposição, viu-se na necessidade de fazer a mesma coisa. Isto é bom. Se calhar, nas próximas eleições já teremos alguns partidos a dizer que, em caso de recessão, devemos entrar por este ou aquele caminho“, acrescentou o economista.

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