Impresa levanta caderno de informação sobre negócio Cofina/TVI

A Impresa já levantou informação disponível na Autoridade da Concorrência sobre a fusão entre a Cofina e a Media Capital, dona da TVI, mas não decidiu ainda se vai contestar a operação.

A Autoridade da Concorrência (AdC) abriu um prazo de dez dias úteis, que termina no próxima dia 18 de outubro, para comentários de eventuais interessados na fusão da Cofina com a TVI. E já houve pelo menos um interessado a fazê-lo: a Impresa, dona da SIC e do Expresso, apurou o ECO junto de fontes de mercado.

Oficialmente, a Impresa não faz comentários a esta iniciativa, nem sequer se do levantamento do caderno de informação relativo à operação de fusão proposta vai resultar alguma contestação. Há dias, Francisco Pedro Balsemão, presidente executivo do grupo, afirmou: “Estamos atentos a quaisquer alterações neste setor da comunicação social e esta é uma operação que foi anunciada recentemente, mas ainda não há nada de concreto e enquanto não houver não vamos poder comentar. Precisamos saber mais detalhes, de ter mais informação seja em que sentido for”.

A operação foi anunciada ao mercado a 21 de setembro e já foi alvo de pedido de registo definitivo da necessária Oferta Pública de Aquisição (OPA) na Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM). A Concorrência terá, depois do dia 18, 30 dias úteis para se pronunciar sobre a operação de concentração entre a dona do Correio da Manhã e a empresa que detém a TVI. Além da Concorrência, a Entidade Reguladora da Comunicação Social (ERC) também tem de se pronunciar, e este parecer, diga-se, é vinculativo.

Depois da notificação feita pela dona do Correio da Manhã e CMTV à AdC no dia 1 de outubro, a Concorrência definiu as condições das observações dos interessados. “Quaisquer observações sobre a operação de concentração em causa devem identificar o interessado e indicar o respetivo endereço postal, e-mail, n.o de telefone e fax. Se aplicável, as observações devem ser acompanhadas de uma versão não confidencial, bem como da respetiva fundamentação do seu caráter confidencial, sob pena de serem tornadas públicas”, esclareceu a AdC.

Do lado da Cofina, também ninguém faz comentários oficiais, para além da informação já disponibilizada sobre a operação de compra nos anúncios à CMVM. Mas o ECO sabe que Paulo Fernandes quer manter a independência dos dois grupos do ponto de vista editorial. Aliás, foi significativa a resposta de Otávio Ribeiro a João Miguel Tavares na Rádio Observador, este fim de semana.

  • O teu cargo atualmente é diretor-geral editorial da Cofina, é isso? Disse bem?
    Exato, é isso.
  • E agora com a compra da TVI, o que vais ser?
    Não faço a mínima ideia. Ser diretor editorial da Cofina, que está num processo de compra da TVI, é bastante para mim. Estou muito satisfeito com o trabalho que temos desenvolvido, com as direções dos diversos títulos e, portanto, não faço a mínima ideia.

Para a gestão da Cofina, a TVI e a Cofina têm de manter-se independentes, até por razões comerciais, particularmente o posicionamento da TVI24, para a classe A/B, e da CMTV, um canal generalista no cabo de caráter popular.

Por outro lado, como mostram as audiências, a TVI+TVI24+CMTV registaram uma audiência de 20,21% de share em setembro (um mês de recuperação da TVI por causa da Liga dos Campeões e do programa de sátira política de Ricardo Araújo Pereira), enquanto a SIC e a SIC Notícias somaram uma audiência conjunto de 21,27% de share. Isto é, a TVI e a Cofina, juntas, têm menos audiência do que a SIC.

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