Tomás Correia convoca último conselho geral da Mutualista Montepio

Presidente da Associação Mutualista Montepio convocou para a próxima semana um derradeiro encontro com os conselheiros, numa altura em que o seu futuro à frente da instituição mantém-se num impasse.

Tomás Correia convocou para a próxima semana uma reunião com o conselho geral da Associação Mutualista Montepio Geral (AMMG), naquele que será o derradeiro encontro com este órgão consultivo da mutualista, antes da sua extinção, apurou o ECO. Em cima da mesa estará a apreciação dos resultados das empresas do grupo, mas não só. Entre alguns conselheiros existe a expectativa de que o presidente da AMMG possa anunciar uma renúncia ao cargo, precipitada por um potencial chumbo do regulador em relação ao seu registo.

O encontro está agendado para o próximo dia 24, quinta-feira. E acontecerá num momento de definição para Tomás Correia, que segue na liderança da mutualista pelo quarto mandato após ter sido reeleito em dezembro passado. No entanto, apesar de estar em funções, o gestor continua à espera de uma decisão da Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF) em relação ao processo de avaliação de idoneidade iniciado há meses — além do presidente, o regulador liderado por Margarida Corrêa de Aguiar está a avaliar outros 22 gestores da mutualista. Até ao momento, não há qualquer decisão da ASF a este respeito.

Alguns conselheiros acreditam na possibilidade de Tomás Correia anunciar a sua saída do cargo já na reunião da próxima semana, isto antes de o regulador chegar a uma decisão sobre a sua idoneidade. E a recente decisão da ASF sobre o registo dos gestores da Monaf só veio aumentar a expectativa de que o processo relativo ao presidente da AMMG possa também ser fechado brevemente. Há também quem diga o contrário: a liderança da mutualista vai manter como está porque Tomás Correia vai obter o aval da ASF. Seja como for, há dois cenários em aberto e as próximas semanas deverão ser decisivas para conhecer o desfecho deste dossiê que se arrasta há vários meses.

O que se sabe é que poderá ser a última reunião que Tomás Correia terá com o conselho geral. Este órgão vai ser extinto para dar lugar à nova assembleia de representantes. Trata-se de mudança que decorre da revisão dos estatutos a que a AMMG está obrigada a fazer por causa do novo Código das Associações Mutualistas aprovado no ano passado. O projeto de revisão estatutária já se conhece, Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social e ASF já deram aval às alterações que se pretende fazer, e os novos estatutos vão agora ser levados a votação na assembleia geral de associados no próximo dia 4 de novembro.

Antes dessa reunião magna do início do próximo mês, Tomás Correia terá assim um derradeiro encontro com o conselho geral onde têm assento 12 membros, entre eles a antiga ministra da Saúde Maria de Belém, e onde o presidente da mutualista foi muitas vezes confrontado por conselheiros descontentes com a sua gestão.

Ao que o ECO apurou, em cima da mesa estarão três pontos na ordem de trabalhos. O primeiro tem a ver com a apreciação do desempenho das empresas do grupo no primeiro semestre do ano, como o Banco Montepio, que viu os lucros afundarem 77% na primeira metade do ano. O segundo prende-se com a substituição de um membro do conselho fiscal. Há um terceiro ponto reservado para a discussão de “diversos” assuntos. É um ponto vago que abre espaço a especulações. Será também a oportunidade para o conselho geral poder discutir a revisão de estatutos que vai determinar o seu próprio fim.

O conselho geral é presidido por Vítor Melícias. Integram ainda este órgão nomes como Maria de Belém (ex-ministra da Saúde), João Costa Pinto (antigo presidente da comissão de auditoria do Banco de Portugal), Luís Patrão (ex-presidente do Turismo de Portugal e ex-secretário de Estado) e também nomes da oposição a Tomás Correia como Carlos Areal e Viriato Silva.

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