Estado e banca podem ajudar revolução industrial, mas empresários têm de arriscar

A indústria 4.0 é o futuro do setor, mas depende de uma forte aposta tecnológica. Na conferência Fábrica 2030, oradores falam da necessidade de um quadro fiscal mais favorável e de maior investimento.

A revolução digital e tecnológica está a mudar a indústria e tem potencial para impulsionar a economia e a competitividade das empresas portuguesas. Se os benefícios do Estado e o financiamento da banca e dos investidores poderão dar um impulso na transição, são os empresários que têm de arriscar em lançar-se neste caminho, segundo defendem os oradores na conferência Fábrica 2030.

“São as máquinas que vão salvar este país”. Ana Lehmann, professora universitária e antiga secretária de Estado da Indústria, não tem dúvidas sobre o tema e acredita que “Portugal precisa indiscutivelmente da indústria”. Mas de um novo setor, 4.0, em que sistemas ciber-físicos são integrados na produção.

"O tema da digitalização na indústria é um tema de liderança. Precisa de investimentos absolutamente decisivos. Por parte do Estado, mas principalmente dos empresários.”

Ana Lehmann

Professora universitária

O que é determinante é a forma como os humanos se adaptam. “Os desafios não são muito diferentes do passado, são mais rápidos”, afirmou Lehmann num painel, onde se questionava se Portugal precisa da indústria, na conferência sobre o futuro do setor organizada pelo ECO em parceria com a Fundação Serralves, esta quinta-feira, no Porto.

O tecido empresarial tem de ser capaz de inovar“, concordou Florbela Lima, head da EY Parthenon, que apontou para a necessidade de mais investimento direto estrangeiro, maior formação e cooperação entre universidades e empresas. “Quem não tem essa consciência não vai sobreviver. Qualquer tipo de negócio tem de ver formas diferentes e disruptores de fazer face às necessidades do mercado”, defendeu.

Conferência Fábrica 2030 que comemora o 3.º aniversário do ECO e o 30.º de Serralves.Bruno Barbosa/ECO

Menos impostos e mais fontes de financiamento são chave a indústria 4.0

Mas como é que os empresários podem evoluir no caminho da indústria 4.0? “O tema da digitalização na indústria é um tema de liderança. Precisa de investimentos absolutamente decisivos. Por parte do Estado, mas principalmente dos empresários“, afirmou Lehmann.

Para investirem na transformação dos negócios, os empresários têm de tomar risco, mas também precisam de apoios, na perspetiva do painel, que contou também com Carlos Tavares, chairman do Banco Montepio. Por um lado, de uma redução de impostos e estabilidade fiscal e, por outro, de fontes de financiamento.

"A banca não tem ajudado as empresas a encontrar as fontes de financiamento certo. É importante que as PME trabalhem com os bancos para encontrar fontes de financiamento, investidores e depois acesso ao mercado de capitais.”

Carlos Tavares

Chairman do Banco Montepio

“A banca não tem ajudado as empresas a encontrar as fontes de financiamento certo”, admitiu o banqueiro. “É importante que as PME trabalhem com os bancos para encontrar fontes de financiamento, investidores e depois acesso ao mercado de capitais. Isto é bom para os bancos. Não é uma concorrência, é uma complementaridade porque quanto mais capitalizadas estiverem as empresas, menor é o risco de crédito”, frisou Carlos Tavares, cujo novo Banco Empresas Montepio (BEM) assumiu como foco o negócio das PME, incluindo a colocação em bolsa.

No mesmo debate, Joaquim Vieira Peres, partner da Morais Leitão, lembrou que há uma mudança de paradigma no financiamento empresarial. “Os investidores selecionam alvos de investimento não porque consideram que são os que vão ter melhor retorno, mas porque são os que têm valores com que se identificam“, afirmou Vieira Peres, exemplificando com os critérios de investimento ambientais, de governança ou sociais.

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Estado e banca podem ajudar revolução industrial, mas empresários têm de arriscar

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião