CIP e Nova SBE lançam observatório para apoiar requalificação dos trabalhadores

O ReSkill - Observatório Português de Requalificação Profissional, quer aproximar os trabalhadores das oportunidades de requalificação no mercado e ajudar a responder aos desafios da automação.

A Confederação Empresarial de Portugal (CIP) e a Nova SBE anunciaram esta terça-feira, durante o Congresso CIP 2019, a criação do ReSkill – Observatório Português de Requalificação Profissional, para apoiar a requalificação dos trabalhadores perante os desafios que trará a automação. Metade das profissões dos portugueses tem potencial de automação, por isso esta ferramenta quer aproximar a procura e a oferta e criar uma plataforma que facilite o processo de reskilling.

O estudo sobre o futuro o trabalho — “Automação e o Futuro do Trabalho em Portugal” — desenvolvido este ano pela CIP, em parceria com a McKinsey Global Institute e a Nova SBE, estima que a adoção da automação em Portugal leve à perda de 1,1 milhões de empregos até 2030, o equivalente a uma população de 4,35 milhões de trabalhadores.

O observatório ReSkill quer ajudar a “facilitar e acelerar o encontro da procura e oferta de conhecimento especializado através de uma plataforma de interface entre empresas, trabalhadores e educadores que informa, coordena, facilita e avalia o processo de reskilling dos trabalhadores em Portugal”, lê-se no comunicado da CIP. Para isso, vai recolher e mapear as necessidades de requalificação em Portugal, atuais e futuras, ao mesmo que tempo que faz o levantamento da oferta formativa disponível no mercado.

“Na sequência do estudo, cujos resultados tornámos públicos já em janeiro deste ano, a CIP decidiu adotar uma política ativa que favoreça a requalificação profissional em Portugal. Essa requalificação é fundamental para que os benefícios da automação possam ser colhidos e os seus custos minimizados”, sublinha o presidente da CIP, António Saraiva.

Portugal é um dos países com maior potencial automação (50%), quando comparado com outros países, ficando apenas atrás do Japão, aponta o mesmo estudo.

Segundo a CIP, deve-se “em grande medida, à alta concentração de atividades no setor transformador, comércio e atividades administrativas (22%, 19% e 10% do emprego total, respetivamente) e ao alto percentual de atividades repetitivas nos diferentes setores da economia portuguesa”. Em contraponto, a automação poderá criar entre 600.000 a 1,1 milhões de empregos nos setores de assistência social e de saúde, serviços profissionais, científicos e técnicos, e da construção. “Para isso é necessária uma correta articulação entre o poder público e as empresas, as escolas e as universidades. É isso que nos propomos fazer”, reforça o responsável da CIP.

“O ReSkill Hub visa dar resposta à forte transformação pela qual a força de trabalho em Portugal irá passar na próxima década. Transformação esta que é fruto de uma expectativa de investimento crescente em automação. O objetivo desta iniciativa é de informar, coordenar e acelerar a requalificação profissional em Portugal”, refere Daniel Traça, dean da Nova SBE. “Esta é uma iniciativa que se enquadra dentro do plano estratégico da escola para que esta se torne numa comunidade colaborativa capaz de energizar todos os setores da sociedade e de ter impacto”, acrescenta.

O Congresso CIP 2019 dedicou-se ao tema “Portugal: crescimento ou estagnação? A resposta está nas empresas”, e decorreu esta terça-feira no Centro de Congressos do Estoril.

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