“Há uma crise de confiança sem precedentes”, diz CEO da Wikipédia

Problema está a prejudicar sociedades e o clima. Katherine Maher, última oradora do dia do palco principal do Web Summit, lembra que todas as crises são oportunidades.

A crise de confiança global está a afetar sociedades e clima. É esta a principal tese da CEO da Wikipédia, Katherine Maher. A gestora chegou ao palco principal da Web Summit, como última oradora do dia, e pediu que se levantassem as mãos de quem já usou a plataforma. Poucas foram pessoas que não o fizeram.

Katherine Maher, CEO da Wikipedia, no palco central do Web Summit, a 5 de novembro de 2019.David Fitzgerald/Web Summit via Sportsfile

“Obrigada. São vocês que fizeram desde nonprofit, um dos sítios mais populares do mundo”, brincou. Mas o exercício serviu também para sustentar a sua tese: “Claramente, a nossa necessidade de conhecimento está no nível mais elevado de sempre. Não acredito que haja uma crise de conhecimento, mas sim, uma crise de confiança“.

O “valor do dinheiro”, “o que está escrito nos jornais” ou a “assistência que chega quando ligamos para o 112” são alguns dos exemplos de Maher para dizer que a confiança é a infraestrutura que permite aos sistemas funcionarem.

“Há uma crise de confiança sem precedentes, de governos à imprensa. As pessoas estão a afastar-se das fontes tradicionais de confiança“, afirmou a gestora, lembrando o uso de fake news para manipular eleições.

Essa crise — que faz com que se confie mais no que alguém próximo diz do que em estudos científicos, por exemplo — “está a prejudicar sociedades e o clima” devido à “falta de consenso sobre a urgência” necessária para dar resposta às alterações climáticas. “Estamos paralisados pela inação“.

Mas então, o que fazer? Todas as crises são uma oportunidade, na perspetiva da gestora. “Temos de partilhar o poder. Dizem que conhecimento é poder e é verdade. Mas se olharmos com atenção, poder partilhado é confuso”, sublinhou Maher. “Temos de inverter o mantra do mundo tecnológico. Temos de construir mais devagar, mas de forma mais duradoura“, acrescentou a CEO da Wikipédia. “Nenhum de nós vai salvar o mundo. Somos todos nós.”

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