“Temos de continuar vigilantes” para um Brexit sem acordo, alerta Michel Barnier no Web Summit

O negociador-chefe da União Europeia (UE) para o Brexit esteve no palco principal do Web Summit, no qual fez um aviso à navegação: está tudo em aberto sobre o futuro da relação com o Reino Unido.

Michel Barnier no palco principal do Web Summit esta terça-feira.David Fitzgerald/Web Summit/Flickr

Uma mensagem de esperança para o futuro, mas também um alerta à navegação. O homem forte da União Europeia (UE) nas negociações do Brexit esteve no palco principal do Web Summit para dizer que está tudo em aberto para a era pós-Brexit.

“O risco de um precipício mantém-se e todos devemos continuar vigilantes para esse resultado possível [de um divórcio sem acordo]”, avisou. No entanto, Barnier mantém-se focado nas negociações do acordo até não haver outra alternativa: “Se conseguirmos chegar a acordo, as futuras gerações vão olhar para ele de forma positiva”, apontou.

São já vários anos de conversações com um Reino Unido que já foi representado por várias caras, desde David Cameron, passando por Theresa May e, agora, com Boris Johnson aos comandos. Na Altice Arena, Bernier soltou um desabafo: “O Brexit é uma escola de paciência. É uma escola de persistência.”

O Brexit é uma escola de paciência. É uma escola de persistência.

Michel Barnier

Negociador-chefe da UE para o Brexit

O político francês também aproveitou a palestra para lembrar que o Brexit “não é só sobre o divórcio entre a UE e o Reino Unido”. “Há muitas outras consequências. É sobre a criação de uma nova parceria que dê estabilidade ao continente”, indicou. São vários os objetivos na agenda europeia neste processo, como é o caso da manutenção da paz e a proteção do mercado único — um fator crítico para o “respeito” conquistado pela UE junto “de Washington e Pequim”, disse Barnier.

Em cerca de 25 minutos, Barnier ainda teve tempo para dirigir uma palavra final talhada à medida dos empreendedores presentes neste evento em Lisboa. “Se a UE não agir agora”, disse, o nosso futuro tecnológico “será decidido” nos EUA e na China.

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