Prison Insights’19: reinserção em debate na Morais Leitão

A 2.ª edição do evento internacional Prison Insights foi o mote para a partilha de conhecimentos e inovação social no que toca à reinserção de pessoas que estiveram presas.

A APAC Portugal e o Instituto Miguel Galvão Teles voltaram a unir esforço e organizaram a 2.ª edição do Prison Insights. A conferência internacional juntou oradores de vários pontos do globo para discutir a reinserção social de ex-reclusos.

Em 2018, Portugal tinha cerca de 12 500 reclusos, sendo cerca de 1 630 a trabalhar para entidades externas. Apenas 11% da população reclusa presta serviços a este tipos de entidades.

Sobre o mote dos “i’s”, o advogado e sócio da Morais Leitão, Rui Patrício, deu o pontapé de saída na conferência. Intenção, invisibilidade, inclusão, incapacidade, ilde (preguiça) e if (possibilidade), estiveram na ordem de trabalhos na conferência.

Todo o sistema penal assenta na ideia de reinserção, sendo essa a intenção principal. Ainda assim, existe uma grande invisibilidade perante a reinserção, pois as “pessoas esquecem-se que existe um sistema prisional e prisioneiros”, nota Rui Patrício. A reinserção social procura uma inclusão, mas que ainda é embrionária na sociedade e que se denota pela incapacidade, que é muito simples de enunciar e complexa de resolver. Incapacidade perante o fim da pena e incapacidade perante o futuro reservado aos reclusos. No final, podemos não fazer nada e continuar a perpetuar a incapacidade, por preguiça (ilde), ou então encontrar soluções e abrir várias hipóteses (if).

O discurso de Jacob Hill foi um dos pontos altos da conferência. O fundador da Offploy, uma agência de recrutamento social que apoia pessoas que cumpriram uma pena, garantindo-lhes emprego, apresentou a sua história, que inclui uma passagem pelo sistema prisional inglês, e como conseguiu reerguer-se após essa situação.

Vários foram os testemunhos deixados na conferência que transmitiram à audiência presente que é possível uma reinserção na sociedade. A atriz Sara Norte, Michelle Cirocco e Jacob Hill são exemplos disso mesmo.

A Delta Cafés, a maior empregadora privada no sistema prisional português, foi um dos casos em destaque na conferência. Atualmente com 11 oficinas em estabelecimentos prisionais, Rita Nabeiro garante que “temos de tirar o estigma e criar pontes e oportunidades”.

“Queremos criar as oportunidades e é a nossa forma de estar. Trabalhar com a comunidade para a comunidade”, nota a diretora geral da Delta Cafés. Apesar de todo o esforço e empenho, Rita Nabeiro não deixou de apontar algumas críticas ao sistema prisional.

Os vários oradores, durante a conferência, deixaram uma mensagem otimista e de esperança para o sistema prisional, não só de Portugal, como de todo o mundo.

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