Exclusivo Chineses põem Bison Bank à venda. Acionista que ficou com ativos do ex-Banif Investimento em dificuldades

O Bison Bank foi colocado à venda pelo seu acionista chinês, que enfrenta dificuldades em aumentar o capital do banco em 20 milhões até final do ano. Supervisor bancário está a par da situação.

Sede do Bison Bank, em Lisboa.

O Bison Bank foi colocado à venda pelo seu acionista, a Bison Capital Financial, que está a sondar o mercado para alienar o antigo banco de investimento do Banif adquirido à Oitante em julho do ano passado, apurou o ECO. A decisão surge num cenário de dificuldades dos chineses em reforçar o capital da instituição. Até final do ano terá de haver um aumento de 20 milhões de euros, mas o compromisso assumido junto do Banco de Portugal não será cumprido. O supervisor já está a par dos acontecimentos.

O grupo chinês comprometeu-se junto do regulador da banca a injetar 60 milhões de euros no Bison Bank até final deste ano. Mas até hoje apenas foram colocados no banco de investimento 41 milhões, por via do aumento de capital realizado em julho do ano passado, no momento da aquisição à Oitante. Outros 20 milhões deveriam ser injetados entretanto, mas a operação não será concretizada perante as dificuldades do acionista Bison Capital Financial, que é detido por sua vez pela Bison Capital Holding Company Limited, com sede em Hong Kong.

Atualmente, o banco cumpre todos os requisitos e tem capital suficiente para cumprir as exigências regulamentares nos próximos anos. Ainda assim, atravessa um período difícil do ponto de vista da operação. O Bison Bank deverá fechar o ano com prejuízos na ordem dos nove milhões de euros — até meados deste ano registou uma perda de 4,5 milhões. As contas do próximo ano também fecharão no vermelho. “Não há negócio”, disse uma fonte financeira ao ECO. Isto depois de dois anos de prejuízos de 42 milhões e 9,4 milhões em 2017 e 2018.

O Bison Bank exerce atividade sobretudo em duas áreas: gestão de fortunas e banca de investimento. O acionista ficou de trazer negócio para o banco em Portugal, tendo-se comprometido designadamente a trazer 250 clientes este ano e mais nos anos seguintes. Mas não terá trazido qualquer um até ao momento, comprometendo a execução do business plan do banco.

O ECO sabe o que Banco de Portugal está a par dos acontecimentos. Contactado, o supervisor liderado por Carlos Costa não respondeu até ao momento.

No meio disto, também houve mudanças na administração que é liderada por Bian Fang: Pedro Ortigão Correia foi destituído a 15 de outubro. “Tratou-se de uma decisão do acionista do Bison Bank. Além disto, o Bison Bank não tem mais nada a acrescentar”, disse fonte do banco quando questionado pelo ECO na semana passada.

Já depois desta resposta, o ECO voltou a contactar o Bison Bank esta terça-feira sobre os planos de venda do banco e sobre o aumento de capital de 20 milhões de euros, mas não obteve uma resposta até à publicação do artigo.

O Bison Bank é o antigo banco de investimento do Banif, que foi resolvido no final de 2015. O banco de investimento acabou por ser transferido para a Oitante, depois da venda do Banif ao Santander Totta. Em julho do ano passado foi adquirido pela Bison Capital Financial.

Além dos problemas em Portugal, os chineses também estão a enfrentar dificuldades em Moçambique, onde são acionistas do Banco Mais com 48% do capital. O Bison tem de aumentar o capital da instituição em cerca de 11 milhões de euros, mas só injetou três milhões.

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Chineses põem Bison Bank à venda. Acionista que ficou com ativos do ex-Banif Investimento em dificuldades

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião