Riqueza das famílias aumenta 13% em quatro anos. Continua abaixo de 2010

A riqueza líquida por família aumentou 13,2% em termos médios entre 2013 e 2017. Mas portugueses estão mais pobres do que estavam em 2010, antes da crise financeira.

A riqueza líquida por família aumentou 13,2% em termos médios entre 2013 e 2017. Ainda assim, os portugueses continuam mais pobres do que estavam em 2010, antes da grave crise financeira e económica com a troika.

Em 2017, a riqueza líquida média das famílias residentes em Portugal era de 162,3 mil euros. Ainda que seja um valor superior ao registado em 2013, continua abaixo dos 172,8 mil euros registados em 2010. Mas esta evolução foi diferente para as diferentes classes de riqueza, segundo os dados revelados esta quarta-feira pelo Banco de Portugal e pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

Os dados mostram que, nos anos da crise, as famílias mais ricas passaram a concentrar ainda mais riqueza: em 2017, detinham 53,9% da riqueza total das famílias, valor acima de 2010 (51,6%) e de 2013 (53,0%). Por seu turno, o conjunto das 50% famílias com menor riqueza estão mais pobres: detinham 8,1% da riqueza em 2017, valor abaixo de 2010 (8,7%).

Estes dados ilustram a forte assimetria que caracteriza a distribuição da riqueza, a qual é mais elevada do que a que se observa para o rendimento. O coeficiente de Gini situa-se em 67,9% no caso da riqueza líquida e 42,6% no caso do rendimento bruto por adulto equivalente”, lê-se no relatório sobre o inquérito à situação financeira das famílias.

Os imóveis continuam a ser os ativos mais importantes para as famílias: representavam 87,7% do total dos ativos. Aqui não se registam grandes alterações face aos anteriores inquéritos. A residência principal e outros imóveis representavam 54,3% e 21,7% dos ativos reais. Os negócios por conta própria representavam 19% e os veículos motorizados 4,4%.

Distribuição dos ativos reais, ativos financeiros e dívida por classe de riqueza

Nos ativos financeiros, os depósitos à ordem são o ativo com maior peso para as famílias mais pobres, enquanto os depósitos a prazo têm maior peso nas restantes classes.

Outro destaque tem a ver com a redução do endividamento das famílias neste período, com o rácio entre a dívida e o rendimento a cair para 132,6% em 2017, “bastante inferior ao observado em 2013 (198,5%)”.

Em 2017, 45,7% das famílias portuguesas estavam endividadas. As dívidas têm sobretudo a ver com os empréstimos para a compra de casa. O valor mediano da dívida era de 35 mil euros.

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