Moody’s coloca rating da dívida da TAP no quinto nível de “lixo”

Esta é a a segunda agência de notação financeira a avaliar a companhia aérea, que está no mercado para colocar 300 milhões de euros em obrigações. A avaliação é pior que a da S&P.

A Moody’s avalia a dívida da TAP com um rating B2, o quinto nível de investimento especulativo, com outlook estável. Esta é a a segunda agência de notação financeira a avaliar a companhia aérea, que está no mercado para colocar 300 milhões de euros em obrigações junto de investidores privados. A avaliação é pior que a da Standard and Poor’s.

A avaliação prende-se com sete fatores, a começar pela localização estratégica do aeroporto de Lisboa, onde a TAP tem uma “robusta” quota de mercado. A agência aponta também para “a estrutura de custos competitivos” da TAP, que é mais baixa que em outras companhias aéreas europeias devido em especial a baixos custos com pessoal. A quota de mercado nas rotas entre Europa e o Brasil, a estratégia de transformação e o hedging de cobertura dos preços do combustível também ajudam.

Por último, a Moody’s sublinha o aumento do foco da empresa na rentabilidade operacional desde a privatização e tanto o apoio do Governo português como a importância da TAP para a economia e o turismo nacionais. Na realidade, o rating real da empresa seria um nível abaixo, mas a forte probabilidade de intervenção do Estado em caso de necessidade levou a Moody’s a atribuir o nível B2.

O rating da TAP é limitado pela pequena dimensão da operadora e concentração da atividade, bem como a volatilidade do desempenho e “ainda baixa” rentabilidade, segundo explicou a agência. O relatório é divulgado no dia seguinte à TAP anunciar prejuízos de 111 milhões de euros entre janeiro e setembro.

A alavancagem da estrutura de capital, com um rácio de dívida face ao EBITDA de sete vezes, aliado ao “fraco” perfil de crédito da empresa-mãe também pesaram na avaliação. Por último, a Moody’s identificou o longo ciclo macroeconómico como um “elevado risco” para a procura por viagens de avião, o que poderá pressionar as yields ao longo da maturidade da dívida.

O outlook estável reflete a nossa perspetiva de que a TAP SA e a TAP SGPS terão capacidade de traduzir a redução do CASK [custo operacional unitário por assento-quilómetro] e dos custos com combustível numa rentabilidade mais forte e num percurso de desalavancagem no final de 2019“, refere a Moody’s, acrescentando que antecipa “a manutenção de um perfil adequado de liquidez”.

A TAP tem, assim, duas avaliações de agências de notação financeira internacionais. A companhia aérea está em roadshow com investidores institucionais e tem como objetivo emitir 300 milhões de euros em obrigações. Os títulos têm um prazo de cinco anos e a taxa de juro ainda não é conhecida.

A Standard & Poor’s foi a primeira agência a avaliar a operação da TAP e classificou-a também como investimento especulativo, mas no nível BB-, ou seja, no terceiro nível de “lixo”. O outlook é igualmente estável.

(Notícia atualizada às 21h05)

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