Fed rejeita taxas de juro negativas nos EUA

Não é claro que o ciclo de reduções nas taxas do banco central norte-americano já tenha terminado, mas certo é que todos os membros do comité político consideram que juros negativos não são atrativos.

A Reserva Federal (Fed) norte-americana cortou as taxas de juro três vezes seguidas e poderá fazer agora uma pausa nos ajustamentos. Ainda não é certo que o banco central dos EUA opte por novas descidas, mas o que é improvável é que os juros caiam até “terreno” negativo como acontece na Zona Euro, segundo mostram as minutas da última reunião de política monetária da Fed.

“Todos os participantes avaliam que taxas de juro negativas não parecem, neste momento, ser um instrumento de política monetária atrativo nos Estados Unidos”, revelam as minutas do encontro do Comité Federal de Mercado Aberto, entre 29 e 30 de outubro.

Após essa reunião, o presidente Jerome Powell anunciou a terceira descida deste ano da taxa de referência, em 25 pontos base para um intervalo entre 1,5% e 1,75%. “Vários participantes continuam a ver os riscos negativos em torno do outlook económico como elevados, realçando ainda mais as razões para um corte de juros”, revela agora a ata.

Os decisores políticos apontaram que a visão é de que “a posição atual da política monetária deverá manter-se apropriada enquanto a economia tiver um desempenho em linha com as expectativas”, mas também que “não tem um curso pré-definido e pode mudar se os desenvolvimento levarem a uma reavaliação material do outlook económico”.

Tal como Powell tem vindo a defender, fica em aberto se a Fed pretende ou não fazer novos cortes de juros e o curso será determinado pelo crescimento económico. No terceiro trimestre, a economia norte-americana expandiu a um ritmo de 1,9%, depois dos 2% registados nos três meses anteriores, com a guerra comercial a pressionar o país.

Enquanto esperam para decidir o que fazer, os decisores políticos debateram as opções em cima de mesa, incluindo compra de ativos, operações de mercado para reforçar a liquidez do sistema financeiro ou juros negativos.

“Os participantes comentaram que há um espaço limitado para levar a taxa até terreno negativo, que há dados mistos sobre os efeitos benéficos de taxas de juro negativos no estrangeiro, bem como que não é claro sobre os efeitos negativos que pode ter na vontade dos intermediários financeiros de concederem crédito ou às perspetivas de gastos de famílias e empresas”, pode ler-se nas minutas.

Uma das geografias onde estão ainda em vigor juros negativos é a Zona Euro. Ao longo do mandato de oito anos como presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi atirou as taxas de juro para mínimos históricos, incluindo a taxa de depósitos para “terreno” negativo. A banca tem alertado para os efeitos adversos nos seus lucros, mas o italiano defende que os benefícios compensam as consequências negativas.

(Notícia atualizada às 19h40)

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